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The Coyote's Lush

Summary:

O que fazer quando o que mais se preza é arrancado de si?

Como Suzy Q, Park Chanyeol tem tudo o que sempre desejou, mas quando se vê correndo contra o tempo para proteger a si e aos seus amigos, diante dos constantes assassinatos ocorridos no “lado gay” de Itaewon, quem aparece carregando uma oferta de paz e segurança é o detetive Chile, conhecido por Chanyeol como Do Kyungsoo, o homem que mais amou na vida.

 

Notes:

plot #221

Meu Deus, não tenho ideia de como começar isso aqui!! Escrever essa fanfic foi a whoooole ride, uma experiência de vida, e eu estou muito grata por essa fest. Eu tenho que dizer que eu pesquisei BASTANTE para fazer essa fanfic acontecer, mas eu também tomei a liberdade para criar muita coisa, desde a geografia de Seul (porque eu nunca estive lá, quem já esteve peço perdão pela atrocidade, por favor entenda que é um universo alternativo, logo, uma Seul de outra dimensã- tô brincando não é não kkk), até as funções e investigações policiais, já que o mais próximo que eu conhecia disso eram 3 eps de CSI e umas pesquisas que fiz com o mínimo que a internet consegue me dar. Então espero que alguém leia isso aqui e que goste de verdade, e se ler algo que considera irreal demais, que comente para que num futuro próximo eu possa adaptar!

Enfim, muito obrigada à minha beta, que foi tão gentil e clara em todas suas orientações e feedbacks, e quero dizer ao Manu que agora sim ele pode ler essa fanfic inteira! Para a pessoa que doou o plot: espero mesmo que você goste do shipp escolhido e do desenvolvimento, a pessoa que eu mais quero agradar é vocêeee! Aproveite!

Minha playlist (eu não sou muito de ficar pedindo para ouvirem tal música em tal hora, mas seria legal se vocês ouvissem as músicas indicadas no texto para entrar na vibe! :p)

História sendo postada também no Spirit Fanfics

Chapter 1: 1° Capítulo

Notes:

(See the end of the chapter for notes.)

Chapter Text

aaa

 

 

 

 

 

 

Você pode voar, se balançando no seu trapézio

E assustando todo mundo

Mas você nunca me assustou, Bella Donna

 

28 de janeiro, sexta-feira. Boate Lush, Itaewon, Seul.

 

Suzy Q havia se coroado de glória mais uma vez. Era incrível a forma como só uma drag queen com seu potencial conseguia fazer a comunidade daquele distrito se esquecer de suas desgraças por alguns minutos, como ela fazia. Aquela noite havia sido perfeita e Suzy tinha direito de comemorar, não tinha?

Gata, onde está Jongdae? — perguntou quase despretensiosamente para Krystal. 

Krystal Xtravaganza, às vezes conhecida como Kim Jongin e uma de suas mais leais companheiras de profissão, se encontrava jogada ao seu lado naquele sofá branco. Krystal tinha uma taça quase vazia de champanhe na mão, então provavelmente não daria à Suzy nenhuma informação relevante sobre o paradeiro de Rhiannon Yen que, naquele momento, era pura e simplesmente Jongdae.

— Ele deve estar chegando, querida. — Krystal respondeu, simplesmente.

— Ok… — ela sussurrou, não menos inquieta e incomodada com algo, seja lá o que fosse.

Quinze minutos se passaram. E quinze minutos, para pessoas que sabiam o pecado de um atraso, era uma eternidade.

— Estou preocupada com Jongdae… — Suzy disse, agitada, quando foi rodeada por algumas das pessoas que só ficavam até horas altas da noite nas boates para socializar de forma mais reservada com a drag depois de suas performances. Ela era até mesmo disputada ali.

— Onde ele está, querida? — um dos funcionários da Lush, a boate onde Suzy havia se apresentado naquela noite, perguntou. Seu nome era Hyuk.

— Eu não sei, ele estava na Hejira, disse que ia se desmontar e vinha até aqui para conversarmos, mas está demorando... — Suzy respondeu, parecendo a cada segundo mais preocupada.

Seus olhos docemente claros por conta das lentes de contato que usava naquela noite, se avermelhavam, não por incômodo das intrusas, as quais ela já estava acostumada, mas pelo medo.

Ela viu quando a expressão no rosto de todos que a rodeavam se tornou pura apreensão e perturbação. Quis muito poder tirar a peruca pesada e a jaqueta de couro que apertava sua cintura de forma quase torturante, quis poder tomar um de seus calmantes e dormir, como se soubesse que no outro dia Jongdae apareceria em sua casa, dizendo que estava bem. 

Aqueles últimos dias vinham acompanhados de muita desconfiança no distrito “gay” de Itaewon, com a vida agitada e alegre que eles só encontravam ali tendo tomado um tom mais escuro. As ruas sempre cheias, coloridas e caóticas, onde as boates e os pubs enchiam sem dificuldade — frequentados discretamente até mesmo por idols famosíssimos da indústria popular coreana — e os garotos e garotas de programa que vendiam seus corpos de forma discreta na principal avenida agora se encontravam manchados com um selo invisível e quase mortal. 

Um rapaz havia sido misteriosamente morto a facadas em uma das ruas mais paradas e, mesmo assim, próxima aos principais pontos da vida noturna LGBTQ do bairro.

Muitos diziam que se tratava de um caso isolado, mas pessoas como Suzy Q, sempre tão desconfiadas da própria segurança, sentiam medo.

— Não se preocupe, Suzy, ele já deve est- — Byulyi, uma de suas amigas, havia começado a falar, quando um rapaz ofegante irrompeu porta adentro.

Ali, Suzy Q sabia, sua agonia não era infundada.

— Rhiannon foi atacada a facadas, a duas quadras daqui! — o rapaz falou, da forma mais urgente possível.

Suzy se levantou sobre suas plataformas altas, para então cair de volta no sofá macio quando as pernas fraquejaram, sendo amparada pelas pessoas a sua volta. Se lhe perguntassem, não saberia dizer o que acontecia em seu interior naquele momento, estava em modo automático.

— Ela morreu? — foi tudo o que Suzy conseguiu perguntar.

— Não, a-ainda não… — o rapaz tentou ter tato ao dizer aquilo. — Mas está sendo levada ao hospital com emergência. Johnny foi quem a encontrou ferida.

Suzy Q nem mesmo percebeu que chorava quando perguntou.

— E Baekhyun? 

— Baekhyun está indo para o hospital também, atrás de Rhiannon.

— Eu também vou — ela disse por fim, se livrando dos saltos e da jaqueta de couro, a única coisa que cobria seu corpo além das meias arrastão e da calcinha preta sobre as partes íntimas.

 

 

03 de fevereiro, quinta-feira. Delegacia de Polícia de Itaewon-Dong.

 

A primeira coisa que Kyungsoo viu ao entrar porta adentro foram papéis sendo jogados no ar. Ele revirou os olhos, sabendo que o cenário e o clima não podiam estar mais caóticos, daquele jeito que ele mais odiava.

Encheu um copo de café calmamente na máquina que ficava ao canto da parede, cumprimentando uma pessoa ou outra. Ao longe ele podia ver que Soojung tinha a ajuda de mais um policial para organizar as testemunhas que estavam presentes para depor e já tinha a vaga sensação de que ouviria reclamação também. Ali ninguém ajudava sem reclamar, a menos que quisesse algo, e disso Soojung mesmo podia cuidar.

— A Cinderela chegou. — o oficial Choi, que ajudava Soojung, disse assim que ele se aproximou.

— Você está aqui há muito tempo, Choi… — Kyungsoo vestiu um sorriso falso, fazendo o policial fingir uma risada também. 

— Você deixou a dama cuidar das testemunhas sozinha, isso não é legal, que não se repita. — Choi insistiu em lhe dar um sermão e Soojung revirou os olhos em suas costas. Kyungsoo soltou um risinho.

 — A dama sabe fazer o trabalho dela sozinha, eu tenho certeza que ela nem mesmo te pediu ajuda e… eu só me atrasei cinco minutos. Inclusive, se você já terminou seu showzinho na tentativa de impressionar a agente Jung, me dê licença porque eu tenho trabalho para fazer e… — Kyungsoo se aproximou, falando mais baixo. — Ela não vai ‘pra cama com você. 

Kyungsoo riu quando o oficial Choi o olhou com fogo nos olhos, e deu dois tapinhas em seu ombro antes de andar até Soojung.

— Certo, Panamá, quem é o primeiro? 

Kyungsoo e Soojung haviam recebido há menos de uma semana a responsabilidade por um caso que, nos últimos dias, tirava o sono de Kyungsoo. Os assassinatos ocorridos no distrito gay de Itaewon já somavam três e só foram considerados obra de um assassino em série quando a terceira pessoa morreu, esfaqueada, no chão gelado de uma viela.

Tirava o sono de Kyungsoo saber que estavam lidando, provavelmente, com crimes de intolerância e ódio contra uma categoria que ele, discretamente, fazia parte. Ele havia recebido a responsabilidade depois de insistir por isso, já que os delegados da região não davam grande importância para o caso, e Kyungsoo era um dos melhores. Conseguindo a custódia do processo, o detetive sabia que não conseguiria chamar outro detetive de destaque para ajudá-lo, por isso, entre os novatos, escolheu a que considerava a melhor: Jung Soojung.

Chile e Panamá, eram essas suas alcunhas para o caso Coyote, e faziam dias que eles já não se chamavam mais pelos nomes reais.

— O que você estava fazendo no momento em que encontrou Kim Jongdae, mais conhecido como Rhiannon Yen, ferido, na rua Apungdeon, senhor Seo? — Kyungsoo perguntou, com o tom duro e transparente que costumava usar em seus interrogatórios.

Sua voz não tremia, mesmo que aquele menino extremamente afeminado e nada polido, o assustasse. Tudo sobre aquele distrito o assustava: era assustador encontrar pessoas que não tinham medo de fazer o que ele sempre temeu — serem eles mesmos.

— Eu estava saindo da boate e voltando para minha casa, que fica ali perto também. Eu moro no distrito, enfim, tinha ido assistir a Suzy Q, minha drag preferida, e voltando para casa encontrei Rhiannon, pobrezinha… 

— Então existem muitas drag queens conhecidas no distrito? — Kyungsoo ofereceu um copo de água para o garoto com um gesto de mão.

— Sim, Rhiannon e Suzy são muito amigas e são algumas das mais famosas, mas existem várias outras. — Johnny respondeu, negando a água com um menear de cabeça.

— Você já contou, no dia em que a polícia foi investigar o local, que não chegou a ver o esfaqueamento, mas você não notou a presença de ninguém em volta? Não encontrou ninguém pelo caminho?  — Kyungsoo perguntou, anotando algo em um caderno.

— E-eu não lembro, eu não costumo prestar atenção nas coisas enquanto caminho, mas na hora em que o encontrei, tenho certeza que não havia ninguém em volta. Eu gritei muito e tive que carregar ele pelas roupas até achar alguém.

— Nós sabemos, achamos suas digitais por todo lado. — Kyungsoo disse em um tom quase repreensivo.

O rapaz finalmente bebeu um gole de água e, após isso, manteve a cabeça baixa.

— Você… desconfia de alguém, senhor Seo? — o detetive perguntou, serenamente. 

— Senhor, ali no distrito e em qualquer lugar da cidade, pessoas como nós são mortas o tempo todo. Eu fico feliz que tenham começado a investigar esses casos, m-mas… eu sou um acompanhante , a-agente Chile… e pessoas como eu são sempre machucadas e até mortas por nossos clientes de família , pessoas que gostam do que podemos oferecer, mas não conseguem aceitar isso. Rhiannon não era como eu, mas o rapaz que morreu no último ataque, era. Para mim, pode ser qualquer um desses homens “de bem”... — ele disse, formando as aspas com os dedos. — ...que nos procuram e depois nos machucam.

Kyungsoo assentiu, compreendendo no peso da voz do garoto tudo o que ele queria dizer. Viver daquela forma não era nada fácil e não era difícil simplesmente chegar a essa conclusão. Johnny sofria e isso ia muito além de um caso bizarro de assassinatos, eles corriam riscos constantes. 

Depois de interrogar mais três testemunhas dos últimos dois casos de ataques, Kyungsoo chegou a duas conclusões: a primeira era que estava emocionalmente exausto depois de ouvir por horas sobre uma realidade que tentou por anos ignorar, e a segunda era que Suzy Q havia sido citada em todos os depoimentos, fosse para falar sobre a amizade que ela mantinha com Kim Jongdae, ou para dizer que o segundo rapaz a ser assassinado era um grande fã da drag. 

Dois dos três ataques haviam ocorrido depois de uma performance dela, segundo as testemunhas.

— Por que ela não foi chamada para depor? — Kyungsoo sussurrou para Soojung, assim que a última testemunha citou seu nome.

— Ela foi, mas não apareceu. — Soojung sussurrou de volta.

Já era noite, quando Kyungsoo esfregou o rosto entre as mãos em frustração e chegou a uma conclusão.

— Vamos ter que ir atrás dessa tal Suzy. — disse à Soojung, que parecia também cansada, sentada há alguns metros dele.

— Muita petulância da parte dela não aparecer para depor, não é? — ela perguntou, ainda distraída com os papéis que lia.

— Sim, e ela vai ter que aprender que não temos tempo para petulância aqui.

 

 

11 de fevereiro, sexta-feira. Boate Lush, Itaewon, Seul.

 

Névoa artificial e um cheiro doce. Era tudo o que Kyungsoo conseguia absorver entrando em um ambiente como aquele. Boates não eram sua praia, ele costumava fazer mais proveito de um bar sem programação tediosa, mas não que as programações daquela boate parecessem tediosas, muito pelo contrário. A Lush era uma das “três grandes” do distrito — assim conhecidas as boates mais luxuosas e movimentadas do bairro, e além dela havia Hejira e Pulse. As três, sem exceção, eram famosas pelos shows impecáveis de drag queens que movimentavam aquele canto escondido da cidade.

Quando ele e Soojung entraram na Lush —  onde a agente descobriu, através das redes sociais, que Suzy Q se apresentaria —, o clima se mostrava bastante animado. O barracão onde a boate se encontrava era extremamente espaçoso e bem decorado, havia algo de luxo, mesmo que a decoração fosse claramente de baixo orçamento. Entrar lá não era super caro, mas também não era para qualquer um em qualquer período do mês, e os garotos de programa precisavam de um ou dois programas na noite para poderem pagar uma diversão real lá dentro.

Kyungsoo observou quando as pessoas pararam de dançar, assim que a voz do anfitrião — ou seja lá como chamavam aquele tipo de função nas festas, Kyungsoo não fazia ideia — soou pelos alto falantes.

Gayyyyys! — ele havia gritado com um tom de voz engraçado, que fez Kyungsoo sorrir. — Estão preparados para serem seduzidos, cativados e tirados do armário pela nossa maravilhosa Suzy Q? 

A plateia gritou e se agitou animada, e Kyungsoo reparou em como as pessoas paravam tudo o que faziam para olhar para aquele palco, como se tivessem esperado a semana inteira por aquele pequeno pedaço de satisfação, aquele pequeno pedaço de entretenimento.

— Então gritem alto, para ela… bonita e perigosa, Suzy Q! — o anfitrião anunciou com ênfase em seu nome e as pessoas gritaram realmente alto ao verem as cortinas se abrindo e a drag queen aparecer, alta e imponente, dentro de suas botas de salto alto e cano altíssimo. Sobre sua cabeça, dois grandes arcos podiam ser vistos, pendurados no teto por cabos que pareciam bem firmes.

Ela acenou para a plateia e fez caras e bocas. Suzy Q era sexy, Kyungsoo não podia negar isso, muito sexy da cabeça aos pés. E era estranho, porque Kyungsoo não tinha muito conhecimento sobre a arte do drag, nada além do que um ex-namorado havia o ensinado no torpor de sua fascinação pela arte mas, mesmo assim, ele sabia que ela usava menos enchimentos para moldar o seu corpo do que as outras costumavam usar.

Aquele corpo, apertado num espartilho preto e cheio de detalhes, era masculinamente feminino, e a peruca preta, montada em um penteado vintage, anos 40 talvez, só valorizava ainda mais o rosto super maquiado e os piercings que Kyungsoo conseguia ver daquela distância, nos dois lados das bochechas. 

Quando cornetas soaram em um ritmo sensual e, de costas, Suzy Q remexeu os quadris, Kyungsoo nem mesmo cogitou desviar os olhos.

Suzy adorava aquela performance. Ela sempre a fazia sentir sensual e poderosa, como se fosse conseguir tudo no mundo apenas com uma dança preguiçosa e as pernas penduradas em um arco, mostrando para quem quisesse ver as suas habilidades no que se tratava de equilíbrio. Rebolou os quadris com lentidão e desceu até o chão quando as cornetas de Rage of Plastics, da U.S. Girls, tocaram. O público gritou e ela sorriu para si mesma, dançando lentamente, enquanto escolhia que parte de seu corpo se destacaria: suas pernas longas, sua cintura tão belamente apertada no espartilho, sua bunda… tinha muitas opções. Dublou com perfeição as palavras da cantora, enquanto engatinhava até mais próximo da plateia, a expressão facial fazendo o papel de contar toda e qualquer história que o público quisesse ouvir.

Se levantou, alcançando um dos dois arcos pendurados no teto e o segurou com as mãos, fazendo força nos braços para se sustentar e os pés saíram do chão. Ela rodou e rodou naquele arco, ficou de ponta cabeça, sentada, pendurada só pelas mãos, fez tudo o que sabia ser preciso para que a plateia vibrasse.

Haviam sido dias difíceis, aqueles. Não se apresentava desde o dia em que Jongdae havia sido atacado, não sabia se era medo ou um tipo de estresse pós-traumático, mas havia pedido para que adiassem sua agenda. Ter coragem para voltar era bom e performar era, para Chanyeol, como uma grande expressão de sua felicidade. Não sabia como faria isso em um momento tão difícil mas, naquele momento, se descobria mais resiliente do que pensava. Suzy era dona de toda sua resiliência. 

Quando os quatro minutos da música chegaram ao fim, ela terminou sua performance deitada no chão, quase mergulhada em todas as notas de dinheiro que haviam jogado. Caraca, amava aquilo.

Hot, caliente, quente como o diabo. Garota, você é má! — o anfitrião gritou no microfone, fazendo Suzy rir e rebolar os quadris de brincadeira, mandando beijos e beijos para o público.

Dessa forma, ela saiu do palco por onde havia entrado e Kyungsoo, da plateia, foi beliscado por Soojung, que o lembrou que aquela era a hora para que fossem atrás da drag.

— Hum, precisamos encontrar algum tipo de camarim ou espaço privativo… — ele disse, óbvio e ainda um pouco perdido, Soojung revirou os olhos.

— Eu já encontrei, Sherlock, é por ali… — Ela apontou para algumas portas na direita do palco. — Se essa tua líbido de adolescente na puberdade for te atrapalhar de fazer seu trabalho direito, pode deixar que eu vou sozinha — disse, ácida, mesmo que só para provocar o amigo.

— Não sei do que você ‘tá falando. — ele respondeu sério, depois de pigarrear e ajeitar a própria jaqueta. De repente, estava meio calor por ali.

Ele tomou a frente até as portas, com Soojung o seguindo. Abriram o caminho da melhor forma possível com tanta aglomeração, e só pararam quando um segurança os impediu de se aproximar mais ainda das portas. Kyungsoo até gostou, sabia que com seu distintivo entraria em qualquer lugar, e com aquele cara ali, poderia saber exatamente onde entrar.

— Precisamos falar com Suzy Q — ele falou alto, para que o funcionário ouvisse.

— Me desculpe, mas não posso deixar vocês entrarem assim, precisam de permissão. 

Kyungsoo tirou o distintivo do bolso da jaqueta, próximo ao peito, e o mostrou. Soojung fez o mesmo.

— Precisamos falar com Suzy Q para o bem de uma investigação policial — ele repetiu e conseguiu ver a forma como o segurança se tornou menos defensivo.

— Só um segundo, vou avisar um funcionário. — o homem disse, antes de entrar pela porta, voltando longos minutos depois com um outro homem.

— Boa noite — o homem cumprimentou, simpático, mesmo que parecesse um pouco nervoso. — Vocês querem falar com a Suzy, não é? Podem entrar, por favor, ela logo aparecerá para conversar com vocês. — Ele instruiu, abrindo a porta.

Os dois investigadores entraram numa espécie de antessala, com um sofá e um espelho apenas, além do corredor que se seguia ao lado, cheio de portas. No momento em que entraram, Kyungsoo ainda conseguiu ouvir o anfitrião anunciar outra atração.

— São as Meninas Superpoderosas? Ooooh não, são nossas três gracinhas! — ele disse alto, anunciando a entrada do trio de performance a quem Krystal Xtravaganza, grande amiga de Suzy Q, fazia parte. Além de Krystal, Mimi Oppulence e Georgina Dollar costumavam ser atração fixa na Lush como As Três Graças, em referência a A Primavera , de Botticelli. Sempre em um trio, elas nunca se separavam.

Soojung se sentou no sofá e Kyungsoo continuou de pé, andando de um lado para o outro. A parceira já estava acostumada, Kyungsoo ficava extremamente energizado quando faziam trabalho de campo.

Dois ou três minutos passaram como uma eternidade e quando o som do salto alto de Suzy soou pela sala, a música da performance lá fora já estava no meio.

Kyungsoo olhou, apreensivo, para a direção em que a drag queen vinha e seu coração pulou dentro do peito em reconhecimento e algo mais. Kyungsoo conhecia aquele rosto surpreso.

— Kyungsoo? — Suzy soltou, quase assustada, e Kyungsoo chegou a conclusão de que conhecia aquela voz grave, também.

Kyungsoo a olhou por segundos demais, tentando entender se sua mente o pregava uma peça. Lá fora, a guitarra de Bella Donna de Stevie Nicks soava, como um clichê. 

— C-Chanyeol? — o detetive soltou quase desacreditado. — Chanyeol, é você? Você é Suzy Q? — perguntou, e nenhum dos dois disse nada por alguns segundos, apenas olhando um para o outro.

Faziam dez anos, dez longos anos que Kyungsoo não via o rosto de Chanyeol. E nem em seus mais profundos sonhos imaginaria que o namorado que o havia ensinado um pouco sobre assuntos relacionados ao drag queen, em seu início apaixonado na arte, era aquela drag queen famosa e talentosa que ele assistiu fascinado. Não sabia se havia o reconhecido pela voz, ou pelos olhos doces e expressivos, mas agora, olhando de perto, parecia claro como água o fato de que sim, era Chanyeol ali.

Não ficava sabendo dele desde uns quatro ou cinco anos atrás, quando soube que sua mãe havia falecido.

Chanyeol sorriu pequeno e sarcástico antes de responder.

— A própria! 

Quando Kyungsoo não respondeu nada, boquiaberto, Soojung interviu.

— Vocês se conhecem? — ela perguntou, se levantando.

Suzy, ou Chanyeol — ela não sabia como chamá-lo naquele momento — revirou os olhos e riu soprado.

— Muito bem — disse, simplesmente. 

— E-eu assisti sua performance... Eu estou um pouco chocado, você é muito talentoso! — Kyungsoo falou, sem nem saber porque havia falado. Aquele não era o momento, estava agindo como um bobo.

— Hum, obrigado… — Chanyeol respondeu, de repente se sentindo exposto por estar com uma roupa tão reveladora na frente de Kyungsoo. Tirou alguns dos fios da peruca do rosto. — Vocês são os policiais que querem falar comigo, então? — perguntou, mudando de assunto.

— Hum, sim… — Kyungsoo respondeu, procurando nervosamente pelo próprio distintivo. 

Enquanto isso, Soojung mostrava o dela, se apresentando.

— Eu sou agente Panamá, mas já que você já conhece Kyungsoo, pode me chamar de Soojung. Nós viemos falar sobre o caso Coyote, se não está familiarizado com o nome, se trata da investigação sobre os assassinatos em série que tem ocorrido aqui no distrito, o que eu acredito, de qualquer forma, que você possua bastante conhecimento a respeito — ela disse, firmemente, e Chanyeol revirou os olhos mais uma vez.

— Finalmente a polícia tem tomado algum partido sobre isso, uh? Venham, é melhor conversarmos no meu camarim. — Chanyeol respondeu, já iniciando o caminho até a sala.

Era a segunda porta do corredor e Chanyeol, ou melhor, Suzy Q, andava com confiança na frente de Kyungsoo, quase o sobrepujando com tanta altivez.

— O que precisam de mim? — ela perguntou, não deixando nem mesmo que os dois policiais cumprimentassem as quatro ou cinco pessoas enfurnadas na sala. Entre eles mais uma drag, que cessaram as risadas assim que os dois entraram porta adentro. 

Suzy havia se sentado sobre uma bancada, alta o suficiente para deixar suas imensas e nuas pernas penduradas. Kyungsoo respirou fundo.

— Precisamos do seu depoimento, senhorita Q. — soltou, estranhando a sensação de chamar Chanyeol assim ao saber que era ele ali, embaixo de toda aquela pompa e aparato.

Suzy respirou fundo e balançou a cabeça, parecendo indignada, quase furiosa. Kyungsoo reparou que seus olhos estavam vermelhos.

— Eu não estou pronta para falar sobre isso, senhor detetive… — Tentou usar um tom doce ao falar. — Minha melhor amiga está em estado grave no hospital e eu estou, no mínimo, traumatizada. Não sei nada que possa te ajudar, não sou nada além de um alvo ambulante que vocês já demoraram demais para proteger… — Suzy falou, e Kyungsoo pensou que ela tinha terminado ao se calar por alguns segundos, mas continuou. — E as pessoas têm morrido aqui, há décadas, senhor Do, por conta da intolerância. Onde vocês estavam? Por que demoraram tanto? Por que você demorou tanto, Kyungsoo, se podia ter colocado fim nisso há muito tempo? — esbravejou, não deixando que a única lágrima que escorreu por seu rosto alterasse seu tom de voz.

— Chanyeol… — Kyungsoo começou seu necessário sermão.

— Suzy. Eu sou Suzy neste momento, não me chame de nenhuma outra forma. — ela corrigiu entredentes.

— Suzy — Kyungsoo disse, dessa vez. — Todos os depoimentos, sem nenhuma exceção, citam você, de uma forma ou outra. Isso não é uma coincidência, em casos como esses não trabalhamos com coincidências — continuou, com a voz firme e grave que, inconscientemente, costumava usar com seus investigados. — Ou você é realmente um alvo, e para isso estamos aqui, para tomar partido na sua proteção, ou você tem envolvimento com esses assassinatos. Nós precisamos que você colabore. 

Encarou Chanyeol nos olhos e ele sustentou seu olhar com uma feição tão magoada que fez Kyungsoo se perguntar se não havia sido duro demais. Conhecia Chanyeol muito bem, mesmo que não o visse há dez anos, e sabia como ele era sensível e adoravelmente temperamental.

Nem mesmo percebeu quando foi que Chanyeol enfiou o rosto em meio às mãos munidas de grandes unhas postiças pretas, tudo o que sua mente assimilou foi que ele chorava, muito e ruidosamente. Se assustou quando ele desceu da bancada e se agachou, se encostando à parede, enquanto ainda tinha as mãos escondendo o rosto. 

Seus amigos correram para apoiá-lo e consolá-lo e Kyungsoo se sentiu extremamente culpado.

— Vocês estão sendo tão injustos comigo! Tão injustos! — ele soluçou, agora tendo as mãos seguradas por um amigo e sendo abraçado por vários outros. As lágrimas escorriam escuras pela maquiagem, fazendo uma bagunça imensa naquele rosto bonito. — E-eu estou com tanto medo, eu só quero esquecer disso e-e vocês estão aqui dizendo que tenho envolvimento com isso? Com algo que me machuca tanto… Vocês podem me dizer que isso é mentira? — A última pergunta sendo feita para os que o abraçavam.

Kyungsoo olhou meio desesperado para Soojung, que se afastou, mostrando que não limparia a sujeira que ele mesmo havia feito.

— Meu bem, é hora de parar de fugir da realidade — um de seus amigos disse, acariciando seu rosto delicadamente.

Chanyeol não falava sobre Jongdae desde que havia voltado do hospital naquela noite, levando consigo a notícia de que o amigo ficaria na UTI por, provavelmente, semanas, com o pulmão perfurado e um início de parada cardiorrespiratória. Temia o dia em que precisasse falar sobre e desabasse, aliado a presença de Kyungsoo ali, seu ex-namorado de anos, com quem terminou um relacionamento ainda terrivelmente apaixonado, se sentia mais do que bagunçado. Se sentia massacrado.

Tinha os olhos fechados e ainda chorava uma cascata quando sentiu Kyungsoo se agachando também, à sua frente.

— Chanyeol… — ele chamou, suave.

— S-suzy. — corrigiu, em meio a um soluço.

— Suzy, eu sei que é traumático para você, sei como é quase perder alguém importante, mas você tem que entender que, depondo, você vai ajudar essa situação a se agilizar. A polícia já perdeu tempo demais não dando importância para pessoas como você, como nós , mas eu estou aqui para acabar com isso da forma mais oficial possível, através de uma investigação, e eu preciso da sua ajuda.

Chanyeol o olhou atento, com os olhos molhados e tristes por trás da maquiagem escura. Kyungsoo notou que ele também usava um piercing na lateral do nariz e que, os piercings em suas bochechas, ficavam no exato lugar onde covinhas adoráveis costumavam afundar sempre que ele sorria. Kyungsoo, com seus 18 anos, tinha certeza que sua coisa preferida no mundo era o sorriso de Chanyeol.

— Pare de chorar, uh? Não vamos falar disso agora, não é o local e nem o momento. Agora escute, eu vou até a sua casa, porque eu realmente preciso do seu depoimento, e nós vamos falar disso sozinhos, com calma e num lugar confortável para você. O que acha?

Persuasão. Era uma das características de Kyungsoo que, os comentários diziam, o faziam tão competente. Ele sabia convencer e sabia lidar com vítimas, era empático, apesar da dureza que o trabalho o exigia. Ver Chanyeol chorando  quebrou seu coração de forma irreal. Na verdade, simplesmente ver Chanyeol quebrou sua faceta de homem totalmente profissional e surrealmente sério. Chanyeol continuava sendo, aparentemente, um ponto fraco.

— Tudo bem — a drag queen sussurrou, assentindo com a cabeça, mesmo que não olhasse Kyungsoo nos olhos. — Alguém me dê papel e caneta — ele pediu, limpando o rosto delicadamente, com um lenço que o deram em meio ao surto de choro. 

Suzy anotou seu endereço em uma caligrafia descuidada e entregou a Kyungsoo. Ainda agachados, Kyungsoo a olhou, só por olhar, a deixando um pouco sem graça. Ele tinha olhos pesados.

— Agora vocês podem ir embora? Esses saltos estão me matando e eu preciso de um cigarro — ela falou, ainda baixo e com a voz chorosa, arrancando algumas risadas contidas pela sala.

Kyungsoo e Soojung foram embora minutos depois sem uma solução. Pelo contrário, Kyungsoo levava para casa um grande problema.

 

 

12 de fevereiro, sábado. Yongsan-Dong, Seul.

 

Kyungsoo estava estranhamente nervoso ao sair do carro naquela tarde meio fria, encarando a fachada do prédio de classe média baixa com atenção. Não era como se fosse um nervosismo infundado, como se ele não soubesse o porquê se sentia daquela forma. Não havia dormido na noite anterior, pensando em tudo o que reencontrar Chanyeol significava e em como não tiveram tempo nem mesmo de tentar entender isso.

Talvez não houvesse nada para entender, de qualquer forma, eles não tinham mais nada há anos. Talvez isso não fosse nem mesmo significativo para Chanyeol, eram apenas duas pessoas que se encontravam de novo depois de muito tempo por coincidência, apenas um “nossa, há quanto tempo…” e vinte minutos de conversa, tudo isso seguido de mais dez anos sem se ver. Talvez esse reencontro fosse só isso.

Tocou o interfone, pensando em perguntar para Chanyeol se, afinal, ele vivia só do drag, porque ele vivia bem. Era um prédio legal, nada chique, mas legal para um cara solteiro. Queria saber mais sobre a vida dele.

Alô? — a voz grossa soou doce através do interfone.

— Oi, é o Kyungsoo… — disse, se aproximando do microfone, meio sem jeito.

Ah, ok, pode subir, terceiro andar… — reforçou.

Logo Kyungsoo ouviu a tranca do portão abrir e subiu.

Chanyeol, lá de cima, ria sozinho vendo Kyungsoo pela pequena TV do sistema de segurança, que mostrava a portaria 24 horas por dia. Kyungsoo ainda tinha aquele jeitinho travado que o deixava charmoso e fofo ao mesmo tempo, e seu coração esquentou ao perceber que dez anos não haviam passado para Kyungsoo, pouquíssimo dele havia mudado, talvez apenas o físico. Ele parecia mais firme e masculino, era verdade, graças aos anos à mais e ao cabelo agora raspado. Também era incrivelmente bonito.

Levou um pequeno susto quando o detetive bateu na porta, dando uma olhada no olho mágico e vendo a forma como ele ajeitava a própria jaqueta e passava uma das mãos nos fios ásperos da cabeça, parecendo nervoso. Fofo.

Kyungsoo estava nervoso, de fato, não só porque encontraria Chanyeol, mas porque encontraria Chanyeol de “cara limpa” pela primeira vez, em anos.

— Oi… — Chanyeol disse assim que abriu a porta, e Kyungsoo se segurou para não respirar fundo em surpresa.

Chanyeol estava diferente. Kyungsoo não encontraria outra palavra para descrevê-lo. Existia uma nova aura nele, que Kyungsoo pensou se tratar apenas de uma característica de Suzy, mas não, ela estava ali também em Chanyeol, simplesmente Chanyeol. 

Ele parecia um rock star e, agora, Kyungsoo entendia porquê Suzy Q se parecia com uma rock star. A melhor parte daquele personagem vinha puramente de seu intérprete. 

Chanyeol tinha metade das sobrancelhas raspadas, coisa que não cairia bem para a maioria das pessoas mas que, para ele — aliado aos piercings e piercings por toda parte — criava um visual misterioso e deslumbrantemente estranho, como uma criatura perigosa e bela. Seu cabelo era de um loiro clarinho agora, tão descaradamente descolorido e cortado por ele mesmo. Era uma bagunça curtinha e jeitosa, com um quase mullet, que emoldurava muito bem seu rosto bonito .

Kyungsoo descia os olhos pelos piercings na sobrancelha e orelhas quando Chanyeol franziu o nariz pelo silêncio estranho.

— Oi... como você está? — Kyungsoo perguntou, em um tom preocupado. 

— Melhor — ele respondeu, suavizando a expressão.

— Que bom, eu espero que você fique confortável em conversar sobre isso comigo — Kyungsoo disse suavemente, quase como se tivesse medo de assustá-lo.

Chanyeol estranhou um pouco, não estava esperando por um Kyungsoo gentil e cheio de tato. Entre a comunidade, os que haviam sido interrogados por ele diziam que ele era frio e, às vezes, até mesmo rude nos interrogatórios. Eles costumavam falar de um agente Chile e Chanyeol só precisou juntar uma coisa e outra para entender que o tal agente Chile era Kyungsoo.

“Um gay discretíssimo, amiga, quase engana com aquela cara de malvado, mas meu gaydar não falha, ele gosta da coisa sim… e digo mais: é gostosinho! Quase deixei meu número, mas fiquei com medo dele me morder, ai! ” Krystal Xtravaganza havia dito, comicamente, um dia depois de prestar depoimento sobre o ataque de Jongdae. 

Chanyeol havia rido muito e Jongin se sentiu extremamente satisfeito, o que não faria por aquele sorriso? Queria mesmo era ver sua Suzy animada.

— Claro, eu acho que já me sinto melhor sobre isso, eu meio que precisava colocar tudo para fora e ontem eu consegui fazer isso… Não se preocupe, de qualquer forma, não é como se eu não tivesse passado por coisas assim antes, é uma profissão difícil, mais difícil que a sua, aposto. — Abriu seu sorriso de milhões de dentes e Kyungsoo nem conseguiu levar a provocação para o coração, sorrindo também. — Entre, por favor. — Chanyeol pediu, já que ainda estavam na porta.

Kyungsoo assentiu com a cabeça e deu alguns passos à frente, até que Chanyeol conseguisse fechá-la.

A primeira conclusão em que o detetive chegou sobre o apartamento de Chanyeol era que ele cheirava a perfume feminino e cigarro, incrivelmente atraente para um homem em seus vinte e tantos anos. O lugar também era adoravelmente desorganizado, com cacarecos, peças de decoração e sapatos por toda parte. Era a cara dele.

— Você mora sozinho? — Kyungsoo perguntou, mais pelo bem da curiosidade do que qualquer coisa.

— Sim — Chanyeol respondeu, se sentando na poltrona que possuía na sala e apontando o sofá para Kyungsoo. — Eu morava com Jongdae há uns anos atrás, mas ele se casou com o namorado, então tive que me acostumar a viver sozinho.

— Eu também moro sozinho desde que saí da casa dos meus pais, então acho que estou mais acostumado com a solidão. — riu soprado, achando a própria frase meio ridícula.

Chanyeol apenas assentiu, acendendo um cigarro logo em seguida. Era como se ele não estivesse nem metade interessado na vida de Kyungsoo como Kyungsoo estava interessado na vida dele e isso era… frustrante, no mínimo. Ele acenou com a cabeça em direção ao cigarro em sua mão, como se perguntasse se o outro queria também. Kyungsoo acenou que sim por pura comodidade, costumava fumar socialmente, mas parecia  melhor acompanhar Chanyeol naquilo, talvez o fizesse se sentir mais seguro para se abrir.

O anfitrião jogou um dos cigarros de sua cartela para Kyungsoo e depois simplesmente pediu para que ele se aproximasse, para acender aquele cigarro diretamente da brasa do seu. 

— Podemos começar, Chanyeol? 

Kyungsoo o chamou pelo nome como forma de testar as águas. No dia anterior havia sido corrigido duas vezes sobre como chamá-lo, e não fazia como teimosia, mas como uma pessoa que não entendia quase nada daquele universo. 

— Claro — respondeu, trazendo as pernas junto a si e cruzando-as em cima do estofado. 

Ele não pareceu se incomodar por ser chamado pelo nome de nascimento, então Kyungsoo continuou.

— Eu vou gravar, tudo bem? — perguntou novamente, tirando o gravador que trazia do bolso, o balançando para que Chanyeol o visse e o colocando na mesa. Chanyeol concordou novamente.

— Se eu te citar essas três datas: vinte e três de janeiro, vinte e oito de janeiro e primeiro de fevereiro, você saberá me dizer do que se trata? — Kyungsoo começou, batendo a ponteira do cigarro no cinzeiro de Chanyeol para não olhá-lo nos olhos e, por algum acaso, intimidá-lo. 

— Eu posso te dizer que tenho perfeito conhecimento da segunda, foi o dia em que Jongdae foi atacado — respondeu, meio sem vontade, se encostando completamente no estofado e soltando a fumaça que segurava. Se sentiu um pouco mais relaxado. — As outras datas coincidem com os outros ataques, eu suponho.

— Sim. — Kyungsoo respondeu, simplesmente. — Agora é a hora em que eu te pergunto onde você estava nas datas dos crimes.

Chanyeol bufou, mais como uma forma de soltar a frustração consigo mesmo por ainda não conseguir falar direito do assunto, do que qualquer coisa.

— No dia vinte e três, provavelmente me apresentando na Pulse, uma boate bem grande do distrito… No dia vinte e oito, na Lush, e no dia primeiro, em casa. 

— E como você ficou sabendo dos ataques? 

— Do primeiro, por notícias, essas que compartilham pelo celular. Eu não fiquei sabendo na noite em que aconteceu, mas na manhã seguinte. Sobre o Jongdae… Eu tinha acabado de me apresentar e estava esperando por ele, porque nós combinamos de festejar um pouco, estávamos os dois estressados e meio assustados. Ele estava na boate Hejira, que fica há algumas ruas da Lush e no caminho ele foi atacado. — Respirou fundo, e a fumaça do cigarro saiu pelas narinas. — Sobre o último caso, meu amigo Jongin, Krystal Xtravaganza, você deve ter a interrogado, veio até aqui e me contou. Eu fiquei tão nervoso na hora porque pensei que ele ia me falar que Jongdae havia morrido. — Soprou uma risada triste. — Mas no final, quem havia morrido era outro conhecido.

Kyungsoo assentiu com a cabeça, terrivelmente focado no que Chanyeol dizia.

— Você e Jongdae estavam assustados. Você não acha que, por estar assustado, Jongdae não poderia ter simplesmente evitado fazer aquele trajeto a pé? — questionou, com o tom de voz mais neutro que conseguia. Odiava fazer vítimas se sentirem suspeitas.

— Bom… eu não sei. Jongdae sempre foi extremamente leal, extremamente apoiador, talvez ele tenha colocado o medo de lado para me ver, eu não duvido disso, sabe? Jongdae sempre se coloca em segundo lugar pelos outros, talvez ele tenha feito aquilo... por mim? — respondeu, sentindo a voz pesar com a vontade de chorar. — Jongdae é como minha única família, você… você sabe que eu sou tecnicamente órfão e ele sabe que é a única pessoa que eu tenho, às vezes.

No fundo de tudo aquilo, havia muita culpa infundada. Chanyeol pensava que a culpa de tudo aquilo, era sua. 

— Mas ele estava com medo, claro que estava, senão não teria se desmontado antes de sair da boate. Ele não tinha o costume de fazer isso, nunca viu problema em chamar atenção. — Chanyeol completou, dando de ombros.

— Por que… você acha que esses ataques coincidem constantemente com suas apresentações? 

— Ahn… não sei. Talvez porque eu sou famoso e minhas performances são um evento no distrito, logo todos assistem — ele respondeu seguramente e Kyungsoo soltou uma risada involuntária. Chanyeol agora possuía um ego ainda mais elevado do que na época em que foram namorados. — O que foi? — Ele riu também. — Desculpe o ego grande, mas é a mais provável possibilidade, não?

Naquela tarde, Kyungsoo não forçou sua gentileza para que Chanyeol se sentisse à vontade, ele foi gentil, talvez porque não soubesse ser outra coisa com o ex-namorado. 

Eles falaram sobre a ligação de Chanyeol com as outras duas vítimas, a primeira sua conhecida apenas de vista, e a terceira era um grande fã seu, um menino de vida sofrida que ainda se prostituia pelas ruas do distrito, mas que não perdia uma performance sequer de Suzy Q. 

— Agora me fala a verdade, você acha que eu sou uma pessoa difícil de lidar ou só quer me comer mesmo? — Chanyeol perguntou, assim que Kyungsoo anunciou que o interrogatório estava terminado, apertando em um botão do gravador e o guardando novamente no bolso.

Kyungsoo o olhou surpreso, com os olhos comicamente arregalados.

— Como? — perguntou, confuso. Chanyeol riu.

— Sabe, todos os meus conhecidos interrogados por você dizem que quase tiveram medo, de tão frio e duro que você é… Queria saber porque comigo é diferente.  — Chanyeol explicou, olhando distraidamente para as próprias unhas.

Kyungsoo se sentiu sim, um pouco ofendido, mas sabia que Chanyeol não havia dito por mal, por isso se calou por bons segundos até que tivesse uma boa resposta para dar.

— Bom, me desculpa se minha gentileza soa mal intencionada, mas eu fiz sem perceber, porque gosto muito de você. — disse com confiança, mesmo que as orelhas estivessem discretamente vermelhas em vergonha.

Viu Chanyeol arregalar os olhos e parecer sem fala por alguns segundos.

— Ok, parece que você me pegou… — respondeu, dando de ombros, e os dois riram.

Kyungsoo gostava bastante do sorriso quase infantil de Chanyeol, tão cheio de dentes e, naquele ponto, ele ficava meio frustrado por perceber que sentia muitas coisas boas e platônicas por um Chanyeol que havia conhecido há só um dia. Se perguntava quão babão um ser humano poderia ser por outro.

Quando Chanyeol se despediu dele, na portaria, Kyungsoo tinha certeza de apenas uma coisa: não o perderia de vista de novo.

 

 

Madrugada de 20 de fevereiro, domingo. Boate Lush, Itaewon, Seul.

 

Fazia uma semana que Panamá e Chile faziam o expediente da noite, sempre em campo, sempre pelas vielas do distrito gay de Itaewon, num trabalho meio bambo de observação, coleta de provas e intimidação. Essa história de que polícia presente diminui a coragem do criminoso às vezes acontecia mesmo, e Kyungsoo esperava que estivesse acontecendo, já que há vinte dias não ocorria um caso de ataque na região.

Na delegacia, corriam os conselhos e reclamações de que eles deviam deixar essas investigações diárias de lado. Se tratavam de casos isolados, afinal, e não era nada que perícia e um arquivamento não resolvessem,mas Kyungsoo não deixava trabalho por fazer, e Kyungsoo era nobre como poucos ali eram. Conhecia a forma como criminosos trabalhavam e não poderia deixar de lado um caso em que sabia poder proteger mais pessoas. Soojung era feroz e corajosa e também não faria aquilo.

E havia Chanyeol, ou melhor, Suzy Q… 

Kyungsoo não seria hipócrita a ponto de dizer que Chanyeol não era fator importante para sua presença diária no distrito. Não quando havia, por um acaso, descoberto sua agenda de apresentações e as acompanhado sempre que conseguia, discretamente, entrar nas boates. Se sentia um pouco irresponsável quando fazia isso, também, mas Soojung sempre dizia “vai logo, eu dou conta” e eram só alguns minutos, de qualquer forma… 

Naquela noite, no entanto, ele se permitiria usar mais alguns minutos, já que o que Chanyeol fazia não era justo com seu coração e cabeça.

As pessoas estavam animadas demais para um domingo na rua principal do distrito, e andavam em peso até a Lush. O movimento havia aumentado consideravelmente na última semana, e os pubs da avenida principal estavam novamente cheios. Kyungsoo às vezes se irritava ao perceber que os frequentadores e moradores daquele lugar pareciam não sentir medo, mas não pôde se impedir de se juntar a eles quando percebeu que a pequena comoção era formada porque Suzy Q se apresentaria ali naquela noite.

A Lush estava mais cheia do que costumava ficar nas madrugadas de domingo e isso significava uma lotação comum de sexta-feira, por exemplo, então Kyungsoo teve uma certa dificuldade para se aproximar mais do palco.

Ele não costumava se preocupar com discrição quando estava fascinado demais para isso, e não é como se quisesse esconder aquilo de Chanyeol.

Contou os segundos para que aquele anfitrião barulhento finalmente anunciasse que Suzy Q começaria seu show. Kyungsoo havia visto Chanyeol performar em três boates diferentes naqueles dias em que conseguia parar para assisti-lo e ele podia dizer, com toda certeza, que a Lush fazia tudo parecer mais divertido, talvez porque lá o davam o devido tratamento de estrela que ela merecia.

— Casa cheia para a queen , é o que eu gosto de ver! Acho que ela quer ouvir a animação dessa manada de veados do backstage , então gritem para Suzy Q! — O anfitrião, que Kyungsoo descobriu se chamar Sacre Bleu , estava montado naquela noite também, carregando um vestido pesado para cima e para baixo.

As pessoas gritaram alto e Kyungsoo se sentiu tentado a gritar também, mas ainda não se sentia assim tão à vontade.

Isso aí! — Sacre Bleu gritou, animado. — O en do meu chanté, o fogo da minha Paris, o contorno da minha maquiagem! Recebam agora, bonita e perigosa, Suzy Q! — recitou o poema cômico e improvisado de forma engraçada, dançando e mudando a entonação da voz, fazendo o público cair na risada. 

Assim que a música tocou, no entanto, ninguém tinha olhos para outra pessoa além de Suzy Q.

As cortinas abriram e Suzy apareceu. Kyungsoo tirou um momento para avaliar sua caracterização: ela usava uma peruca de cor verde quase vibrante, na altura do queixo e com ondas vincadas, como os penteados antigos dos anos 20. Kyungsoo gostava quando ela se caracterizava de forma mais burlesque , para ele, era quando ficava mais bonita. No corpo, tinha o que parecia ser um maiô peludo e cheio, de cor branca, que a fazia parecer uma garota inocente e vívida de tempos passados, tão bonita em cima dos saltos finos da bota de couro de cobra albina que usava. 

Kyungsoo só saiu de sua contemplação quando os primeiros acordes de uma música aparentemente dramática tocaram. 

Suzy andou até o meio do palco e direcionou o rosto para o alto. Atuou como se estivesse fazendo uma prece aos céus, se ajoelhando enquanto dublava Snakeskin da cantora Rina Sawayama. Seu rosto parecia extremamente miserável e triste e Kyungsoo reparou então que a maquiagem que usava se assemelhava e muito com… uma cobra.

Suzy usava lentes de contato amarelas e tinha pequenas escamas grudadas ao redor do rosto, além dos olhos e bocas estarem ressaltados com maquiagem verde.

Kyungsoo se animou para o que viria quando o ritmo da música mudou repentinamente junto com a expressão no rosto da drag, que jogou as duas mãos ao chão também, ficando de quatro e em seguida levantando novamente aos joelhos, levando as mãos à cabeça enquanto dublava.

Suzy Q era extremamente performática e isso às vezes assustava. Kyungsoo nunca esperou todo esse potencial de Chanyeol, o menino tímido que ele conhecia.

Mas Kyungsoo ainda não havia visto nada.

Quando a música chegou a seu ponto alto, Suzy se desfez da parte de cima de sua roupa peluda e revelou uma lingerie que referenciava a couro de cobra também, verde e bem colocada em seu peito nu, sem enchimentos.

A plateia gritou enlouquecidamente quando percebeu que se tratava de um strip tease .

— Vai, garota! — Sacre Bleu gritou no microfone.

Suzy não parou sua performance nem mesmo para sorrir pela reação dos que a assistiam.

Ela se moveu conforme a música, quase em um voguing*, fazendo questão de parecer extremamente predatória, conforme as luzes piscavam freneticamente, com o ritmo do instrumental.

Foi lentamente que a drag tirou a parte debaixo da roupa, finalmente ficando só com a lingerie que a apertava tão bem, nos lugares certos. Seu corpo masculino parecia incrivelmente de outro mundo , tão lindo que Kyungsoo sentiu calor subir pelo seu pescoço. Se Soojung estivesse ali, ela o constrangeria até que ele a pedisse para parar.

O coração de Kyungsoo parou e seu pau quase pulsou junto com ele quando Suzy colocou a língua para fora e expôs um detalhe que o detetive ainda não tinha reparado: sua língua era bifurcada, totalmente dividida no meio, como a de uma cobra. E agora, o conceito daquela performance fazia todo o sentido.

Suzy mexeu os dois lados da língua em sincronia e Kyungsoo ficou boquiaberto por perceber que Chanyeol devia ter mais modificações corporais que ele ainda não havia tido a chance de conhecer com um par de conversas e a fidelidade empregada ao assistir suas performances. Lutou para não ter uma ereção de verdade enquanto descia os olhos pelo corpo bonito de Suzy, bem asseado dentro de uma lingerie e, quando subia o olhar, era agraciado por aquela modificação corporal tão sexy; Chanyeol havia se tornado extremamente sexy em tudo o que fazia e isso era meio assustador.

Ela rebolou os quadris algumas vezes, dando ao público o que eles queriam afinal, e era quase hipnotizante assistir as costas largas e quadris estreitos se moverem daquela forma. Sem falar que sua bunda parecia tão macia e durinha, Kyungsoo quase se perguntou como seria deitar a cabeça ali. Caramba.

A performance acabou junto com a música, assim que Suzy virou as costas para o público e soltou o sutiã que usava, o girando entre os dedos enquanto saía do palco, extremamente soberba com tudo o que fazia.

 


 

Suzy retocava o gloss por sobre o batom verde e já havia colocado seu sutiã de volta. Estava se preparando para cumprimentar as pessoas do lado de fora do camarim e talvez dançar um pouco se encontrasse alguém com quem valesse a pena dançar, talvez alguns amigos…  Talvez Kyungsoo. Ela o havia visto na plateia mais cedo, assim como já havia o visto na plateia de várias outras performances. Ele não era discreto, e talvez não quisesse ser, mas Suzy esperava que ele a procurasse em todo final de noite e isso nunca acontecia, era muito estranho. Ataques não aconteciam há quase um mês mas, mesmo assim, ela sabia que ele devia estar investigando coisas por ali. De qualquer forma, se ele ia às boates para vê-la se apresentar, por que não aparecia para dar um simples oi? 

Suzy retocava o gloss, de qualquer forma, quando ouviu três batidas na porta. Sorriu, estando de incrível bom humor.

— Oi… — Kyungsoo cumprimentou meio nervosamente, ao ver que Suzy Q continuava somente com aquela lingerie no corpo.

— Oi! — sorriu grande, soando animada. — Você entrou aqui com as suas credenciais de policial? — Riu.

Kyungsoo riu junto.

— Na verdade, sim… Esse distintivo abre caminhos para muitas coisas, sabia? — sorriu, pegando o distintivo na mão e balançando de forma cômica.

— Bom, ele pode abrir caminho até meu camarim, se você quiser entrar — Suzy respondeu, abrindo mais a porta e sinalizando com o corpo para que ele entrasse.

Kyungsoo meio que perdeu o fôlego. Não estava preparado para uma Suzy Q tão sorridente e disposta a ter sua presença ali e era realmente difícil lidar com uma pessoa naturalmente audaciosa como Chanyeol. Sem falar em como ela estava vestida naquele momento, era… desconcertantemente atraente.

— Claro, eu… não te atrapalho? — perguntou, realmente preocupado.

— Não, eu estava tão entediado aqui que estava prestes a procurar outra coisa para fazer. — Riu.

— Bom, eu estava pela região e decidi ver sua performance, sabe, a rua inteira estava se mobilizando para vir para a Lush. Você é mesmo famosa, Suzy Q. — ele disse, em tom de provocação. 

— Só descobriu isso agora? — Suzy riu, se encostando na mesa onde costumava apoiar seus aparatos de maquiagem. — Mas eu sei que você me assistiu em outros dias também, não precisa ter vergonha de dizer. 

Kyungsoo se sentiu estranhamente envergonhado, como se tivesse sido pego em um crime.

— Me desculpe é que… você é muito bom no que faz, é meio fascinante. — respondeu, coçando a cabeça de forma envergonhada.

— Obrigado. — respondeu brandamente. 

— Mas hoje você… eu… você realmente me surpreendeu. Há quanto tempo você tem essa língua dividida ? — Kyungsoo perguntou curioso e ainda surpreso, enquanto se apoiava na mesa ao lado de Chanyeol. Ele riu alto.

— Faz uns cinco anos, no mínimo… — respondeu, simplesmente. — Mas é realmente difícil de ver quando ela está dentro da minha boca.

— Não dói?

— Nem um pouco… — disse, logo depois enrolando uma ponta da língua à outra, dentro da boca ainda.

— Me deixa ver? — Kyungsoo pediu, num rompante de confiança, se aproximando mais para ter uma visão melhor.

Chanyeol riu com todo o corpo, como fazia sempre quando eram mais novos.

Colocou a língua para fora e abriu a boca, se aproximando e mexendo as duas pontas de sua língua para cima e para baixo. Era fascinante, estranho e Kyungsoo não poderia dizer que não estava atraído por toda a bizarrice de Chanyeol.

— Você é uma figura, Chanyeol — disse, sorrindo e Chanyeol riu de novo.

— Obrigado. — Ele deu de ombros. — Jongdae tem se recuperado bem, sabia? Isso levanta totalmente meu humor. — contou, animado.

— É mesmo? Que bom, eu… fico feliz de verdade — o detetive respondeu, sincero. 

— Eu também. Baekhyun apareceu tão sorridente para contar que ele abriu os olhos… — Chanyeol relatou, se afastando para pegar um cigarro em sua bolsa, jogada sobre o sofá pequeno do camarim. — Eu acredito muito que com esses pequenos progressos ele logo vai voltar ao norm- — Chanyeol se interrompeu ao achar um papel logo na entrada da bolsa, parecia um bilhete. — O que é isso? — perguntou, com um sorriso curioso no rosto, achando se tratar de um bilhete de um fã ou amigo. — Suzy Q, é melhor você se cobrir, porque um bicho papão está a solta e ele não gosta de garotos maus. — Leu em voz alta, franzindo o cenho conforme ia entendendo que, ou aquilo era uma brincadeira de mal gosto, ou era uma ameaça.

Olhou meio apreensivo para Kyungsoo, que estava com uma expressão assustadoramente séria.

— Larga esse bilhete, Chanyeol, isso é uma ameaça — ele disse, e Suzy soltou o papel como se ele pegasse fogo, o deixando cair no chão.

O relógio marcava três horas e cinco minutos da manhã e Chanyeol sabia que tudo o que ele havia construído desde o ataque de Jongdae, iria desmoronar novamente. 

Não conseguiu dizer mais nada, no entanto, mesmo que seu coração estivesse assustado e acelerado, pois a porta foi aberta de forma rápida e alguém entrou assustada e ofegante como na outra noite, entregando uma notícia que Chanyeol não queria ouvir.

— Johnny foi morto.

Notes:

*voguing: um estilo de dança nascido na cena drag, que se caracteriza por posições típicas de modelos, com os movimentos corporais inspirados em linhas e poses.

Saiba mais no próximo capítulo! (hohohoh)