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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2024-06-09
Completed:
2024-07-11
Words:
25,009
Chapters:
6/6
Comments:
20
Kudos:
409
Bookmarks:
49
Hits:
5,744

Improvisação

Summary:

Cansado de rebater todos os ataques da gangue de James Potter e não ver melhora em sua situação, Severus Snape decide fazer igual sua mãe, ele decide improvisar.

Ele acaba ganhando mais do que imaginava.

 

Aviso: Todos os personagens e elementos relacionados ao universo de Harry Potter são propriedade da autora J.K. Rowling. Este conteúdo é uma obra de fã e não tem a intenção de infringir direitos autorais.

Chapter 1: Improvavelmente

Chapter Text

Severus Snape mataria Bruce Mulciber e Regulus Black, e nem Merlin poderia impedir.

Foi graças a insistência de seus amigos para que ele visse seu treino de quadribol que ele estava naquela situação humilhante com o porco do Potter.

Ele estava em uma entrada do castelo esperando pelos idiotas para irem para o salão comunal da sonserina quando ele sentiu um empurrão por trás, de forma impulsiva ele apenas virou e puxou consigo a primeira coisa que suas mãos alcançaram com o intuito de não cair, porém essa coisa acabou sendo o grifinório mais idiota da escola.

Era a época infernal em que Hogwarts ficava infestada de visco em cada canto do maldito castelo, e ele simplesmente teve o azar de cair de bunda no chão com Potter bem debaixo de um visco. Tanto ele quanto o porco nojento já haviam tentado sair, mas não conseguiram. E para piorar sua situação tinha muitos alunos os observando, dentre eles havia Lily.

Sua relação com a garota estava completamente arruinada, ela não o tinha perdoado pelo incidente do quinto ano e ele, francamente, já havia se cansado de tentar se reconciliar com a ruiva. Ele entendia que tinha errado e entendia que a menina tinha todo o direito de não querer mais olhar para ele, mas ele também tinha entendido que seus próprios sentimentos eram importantes, mais importantes que os de Lily. Então ele decidiu que não poderia continuar pedindo perdão a ela quando nem ele a havia perdoado por rir dele e por ter feito amizade com as pessoas que mais o maltratou na escola, ela nem mesmo pediu desculpas por isso.

E de qualquer forma, a perda de sua amizade não foi completamente ruim. Ao perder sua dependência emocional na grifinória, ele tinha conseguido aprofundar laços dentro de seus colegas de casa, ele realmente fez amigos em Hogwarts, como sempre sonhou.

Ele estava no último ano e sua vida estava boa, seu pai tinha morrido, ele fez amigos e tinha notas continuavam excelentes, ele achava que conseguiria um bom patrocínio para estudar depois de formado.

Sua vida estava boa, apenas estaria ainda melhor se Potter e seus cachorrinhos desaparecessem.

— Olha o que você fez seu idiota. Como eu vou sair daqui agora? Porque com certeza não estou beijando você, sabe-se lá as doenças que você pode me passar.

Vendo a expressão de nojo e desdém de Potter, Severus se irritou ainda mais.

— Olha o que eu fiz?! Foi você que me empurrou, inclusive, de forma bem covarde para alguém que se diz tão orgulhoso das características de sua casa, coragem é o que dizem, não é?

Potter se aproximou dele, levantando as mãos como se quisesse o estrangular, mas nem mesmo chegou perto de colocar suas mãos no frágil pescoço de Severus. Potter nunca havia de fato encostado as mãos nele, não para realmente o bater, e essa era a única coisa que o garoto de longos cabelos pretos tinha a agradecer ao universo. Ele não duraria nada contra o outro se fossem brigar de forma física, Potter era bem mais alto e forte que ele, Severus tinha que admitir, por mais que seu ego doesse com isso.

— Para de rir Sirius e vai chamar algum professor para acabar com isso.

A risada, que mais se parecia um latido, ressoou alta, chamando ainda mais atenção dos alunos que ainda não tinha visto a situação. Severus odiou ainda mais aquele projeto de cachorro mal feito. Mas pelo menos ele saiu em busca de algum professor.

— Isso é culpa sua Snivi, se você não tivesse aqui isso não teria acontecido. O que você estava fazendo aqui afinal? Ainda não parou com essa mania de meter seu enorme nariz nos assuntos dos outros.

Aquilo não fazia o melhor sentido, Severus nem mesmo percebeu que aquele bando de animais estavam ali perto.

A frase 'vai se fuder' estava na ponta da língua de Severus mas então, por algum motivo, ele se lembrou de sua mãe. Seu pai era um bastardo bêbado e abusivo, e sua mãe, apesar de ser bruxa, não revidava com magia, na verdade ela improvisava sempre que era pega em uma situação suspeita na visão perturbada de seu marido. Eileen sempre conseguia se sair de diversas situações apenas no improviso.

Pensando nisso, Severus percebeu que estava cansado de revidar as ofensas e feitiços de Potter e simplesmente não ver melhora em nada. Naquele momento, olhando para o rosto odioso de Potter, ele resolveu improvisar. Fazendo sua maior cara de mágoa, ele disse:

— Já chega James, eu não quero continuar fazendo isso. Por que está falando assim comigo James? Eu só vim até aqui porque achei que você finalmente iria nos assumir, você disse que não precisaríamos mais nos esconder.

Que merda foi aquela que ele tinha acabado de dizer?!

Ele queria morrer, pelo amor de Merlin, ele queria morrer naquele momento.

Mas pelo menos valeu a pena ao ver a expressão de Potter, em menos de cinco segundos, Severus conseguiu ver expressões de confusão, incredulidade e raiva. E sem contar os sussurros crescentes que passou pelas pessoas que os observavam.

Ele não tinha mais nenhuma dignidade para perder, então, aquilo seria divertido.

— O-o-o quê? Do que você está falando seu idiota? O sebo do seu cabelo finalmente estragou o que sobrava do seu cérebro?

— Eu realmente estou cansado disso Jamie, eu perdoei você por tudo e até consegui entender e aceitar sua obsessão pelo meu corpo, sempre fazendo comentários e tentando me deixar nu em qualquer momento do dia. — Severus teve que se segurar muito para não rir dos rostos incrédulos do porco e de todos ao seu redor. Ele até conseguiu embargar a voz. — Eu realmente entendi, mas não quero mais continuar assim. Você não pode ser tão cruel assim, você me prometeu.

— Você é louco, completamente maluco. E não chega perto de mim. Nada disso é verdade, não é verdade, é mentira desse pequeno diabo.

Potter estava em pânico, falando alto para todos ouvirem enquanto gesticulava de maneira exasperada com as mãos, mas pela forma com que ele estava dizendo mais parecia que realmente era verdade, uma verdade que ele estava tentando esconder. Severus abaixou a cabeça, tampando seu rosto com seu cabelo e se forçou a não rir, e com um pouco de esforço deixou seus olhos lacrimejarem.

Levantando a cabeça ele olhou ao redor, ele viu a incredulidade no rosto de Lupin enquanto o lobisomem olhava para o amigo, ao que parece até o idiota estava acreditando naquilo, Severus também viu a expressão de pena de Lily, e só então ele se lembrou dela e agradeceu a Merlin por ela e o idiota não estarem namorando, mesmo não sendo mais amigos ele não queria fazer dela uma corna.

Era possível ouvir sussurros, ele conseguiu identificar algumas palavras, como, 'eu sempre soube', 'bem que eu sempre achei estranho a relação deles', 'isso é cruel, mesmo sendo o Snape', 'não acredito que ganhei a aposta da lufa-lufa', Severus fechou seus ouvidos para tudo aquilo. Ele realmente não queria saber o que tudo aquilo significava.

— Foi tudo mentira? Apenas mais uma brincadeira? Isso foi cruel até para alguém com seu histórico James.

— Para de mentir agora mesmo Snivellus. Nós não temos nada, qual é a porra do seu proble...

Potter se auto interrompeu quando se virou para olhar Severus e viu as lágrimas em seus olhos, seus olhos se arregalaram. Severus até deixou uma lágrima escorrer pelo seu rosto. Mas ele foi poupado de continuar nessa farsa, o cachorro sarnento e a professora Mcgonagall, juntamente com os idiotas de seus amigos, Bruce e Regulus, haviam chegado.

Logo após a professora acabar com aquele feitiço idiota do visco, Severus não perdeu tempo em puxar seus amigos e sair correndo dali, porém ele ainda conseguiu ouvir a voz irritada de Mcgonagall.

— O que você fez com o menino dessa vez senhor Potter? — Severus realmente amava aquela mulher.

*

— Eu já disse que eu não tenho nada com aquele porco! O que vocês pensam que eu sou? Eu nunca me rebaixaria assim.

Sua fala apenas fez com que os bastardos de seus amigos o olhassem com desconfiança. Especialmente o merda do Edmund Avery, ele nunca entendeu o porquê de ser amigo daquele cara.

— Tem certeza? — Era quase possível ver o veneno escorrer pela boca de Avery. — Porque pelo que eu me lembre, no nosso terceiro ano, você deixou escapar que achava um desperdício alguém tão bonito como Potter ser tão fútil. E, no quinto ano, você passou muito tempo olhando para ele.

Severus o olhou boquiaberto enquanto sentia seu rosto esquentar, ele fez questão de apagar de sua memória a conversa que deixou escapar aquilo, não era algo que ele queria ter dito, muito menos para o tipo de pessoas como Avery. E ele não achou que tinha sido tão óbvio ao observar Potter, mas ele só fez isso para tentar descobrir se o garoto sabia ou não da brincadeira do lobisomem, ele não acreditava no grifinório mesmo ele já tendo dito inúmeras vezes que não sabia dos planos do Black.

As risadas dos demais se tornaram mais altas, ele estava em seu quarto com seus amigos, Mulciber, Crouch Jr., Regulus, Rosier e Wilkes. Todos eles não estavam acreditando que aquilo era só uma brincadeira, ele nem queria imaginar o que Charity e Aurora diriam.

E tinha os Malfoy's, apesar de eles já terem se formado, o jovem casal sempre sabiam o que aconteciam no castelo.

Merlin, Lucius o mataria.

— Não precisa ter medo de nos contar Sev. Eu sempre achei meio óbvio que o que vocês sentiam um pelo outro estava longe de ser ódio. — Snape queria socar a cara de Crouch. — Parando para pensar agora, eu percebo que ele sempre foi meio possessivo com você.

Sua fala acarretou várias falas de concordância de seus outros amigos, Severus queria matar todos eles.

— Cala a boca Bartolomeu!

— Não me chame de Bartolomeu!

Ótimo, agora tinha mais um estressado naquele quarto.

— Então para de ser estúpido e use esse pequeno cérebro para pensar. — Sua raiva parecia estar divertindo aquele bando de mandrágoras, Severus precisava sair dali. — Pela última vez, eu não tenho nada com o porco do Potter, aquilo foi apenas uma brincadeira impulsiva e idiota.

Se levantando ele saiu do quarto enquanto ouvia as zombarias dos outros, Severus as vezes os odiava.

Ao sair da sala comunal da sonserina ele não pensou que todos do castelo já deveriam estar sabendo da sua estupidez, e foi surpreendente pensar que eles acreditavam que ele e Potter tinham um relacionamento, aquilo não fazia sentido. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo.

— Eu sinto muito pelo que Potter fez com você Snape, foi extremamente cruel e desumano, eu não achava que ele era desse tipo. Se você precisar de alguma coisa, qualquer coisa, basta me dizer. Você não está sozinho. — Uma lufana o tinha parado em um corredor, perto da biblioteca, para dizer aquilo, e ela realmente parecia estar falando sério. Severus nem sabia quem era aquela garota.

Vários alunos o estavam olhando com pena e simpatia, alguns até o pararam para dizer como foi nojento o que o Potter fez, Severus queria morrer. Não era assim que ele imaginava que as coisas aconteceriam, era pra ser apenas algo engraçado e sem muita importância, mas talvez ele consiga se aproveitar da situação, com um pouco de sorte Potter vai se sentir desconfortável de ter qualquer tipo de interação com ele e o deixará em paz, e, sem contar, que talvez ele possa se aproveitar da simpatia das pessoas.

— Severus, me espera.

Ouvindo alguém chamar seu nome ele se virou deparando-se com Pettigrew correndo em sua direção. Desde a tentativa de assassinato de Black no quinto ano, o garoto gordinho se distanciou um pouco do seu grupo de amigos, o que teve como consequência uma aproximação, muito suspeita, com Crouch, e posteriormente com Severus e os outros.

Ele não era tão ruim como as pessoas imaginavam, na verdade, Severus passou a gostar muito do outro garoto, ele era gentil e divertido e, para o sonserino, ele era o mais corajoso dos quatro leões idiotas.

— Frank me contou o que aconteceu, e eu sinto muito pelo que o James fez. Eu não sei o porquê de vocês terem mantido segredo, mas de qualquer forma, eu lamento. — Ele começou a dizer antes mesmo de conseguir regular sua respiração. Severus tentou dizer que era tudo mentira quando o outro voltou a falar, não dando a mínima importância para o menino de olhos ônix. — Eu não consigo entender como ele consegue ser tão estúpido, pelo menos, não depois de ele mesmo já ter admitido que gosta de você. Você precisava ter visto, ele tinha ficado tão bravo com Sirius no quinto ano, que o fez até prometer que não faria mais nenhuma brincadeira com você e que jamais te chamaria de qualquer apelido maldoso. Eu realmente não entendo o que se passa pela cabeça dele, mas deve ter alguma explicação, ele não perderia a chance de ter você assim. Eu vou falar com ele e fazer ele se desculpar com você.

Peter continuo falando seu monólogo sem se dar conta que o cérebro de Severus parecia estar prestes a morrer. James Potter gostava dele?

Realmente, todos eles tinham parado com os feitiços e os apelidos por parte de Black nunca mais foram ouvidos, Severus nem se lembrava qual foi a última vez que o cachorro olhou em sua direção. Mas ele sempre atribuiu isso ao fato do sonserino saber o segredo de Lupin e a ameaça do diretor de expulsar os imbecis. Não fazia sentido, Potter gostava de Lily, não é?

Forçando seu cérebro a pensar, ele também não conseguia se lembrar qual foi a última vez que viu o porco flertar com a garota, no máximo eles pareciam ter algum tipo de educação forçada um com o outro. Não, não, não, aquilo só podia ser um pesadelo.

— James Potter gosta de mim?

— Mas é claro que ele gosta de você, pelo visto ele não está se esforçando para mostrar isso, mas como eu disse, deve ter alguma razão e eu vou descobrir qual é.

— O PORCO MALDITO GOSTA DE MIM?!

— Ok, James parece estar bem ferrado. Eu sinto muito Severus, vejo você depois. — Seu grito parecia ter assustado a alma de Peter para fora de seu corpo, pois rapidamente o garoto loiro se despediu e saiu correndo.

*

Dizer que James estava confuso seria uma tremendo eufemismo, ele ainda não tinha entendido o que diabos tinha acabado de acontecer. Em uma hora todos achavam que ele odiava Snape mas bastou o idiota dizer que eles tinham um romance que todos acreditavam, e ainda por cima o olhavam com nojo. As pessoas o estavam olhando com nojo, olhando com nojo para James Potter, aquilo não fazia sentido, ele atribui isso ao efeito romântico que os dia dos namorados trazia as pessoas.

E ele ainda teve o azar de perder pontos e pegar detenção com Minerva, assim que a mulher ouviu o que aconteceu ela o olhou com pura decepção para James, não que ele já não estivesse acostumado, ele secretamente acreditava que o preferido daquela mulher era o Snape.

Ele estava sentado em sua cama olhando fixamente para a parede enquanto fazia tentava entender o que deu em Snape para dizer uma coisa daquela, ainda mais na frente das pessoas. Será que alguém o azarou?

Chegar até seu quarto foi complicado, ele teve que ter ajuda de Sirius e Remus, Remus que o olhava extremamente sério, e teve Evans, aquela maluca. Ela acreditou naquela invenção do Snape, e ele teve um vislumbre em primeira mão que mesmo os dois não sendo mais amigos, Lily ainda era cruelmente protetora com ele. Ela o tinha batido, ele apenas não caiu das escadas porque Padfoot o segurou.

Ele agradecia tanto ao universo por não ser apaixonado por aquela garota, ela as vezes era assustadora.

— E então? Não vai falar nada?

A voz de Remus o tirou de seus pensamentos, olhando para o amigo James percebeu que estava encrencado. Desde o quinto ano, Remus criou coragem suficiente para defender Snape sempre que tinha a oportunidade, e ele realmente não queria apanhar mais por causa do sonserino.

— Falar o que? Vocês sabem que aquilo não passa de uma mentira. — Seus amigos apenas ficaram o olhando, aquilo não era possível. — Vocês sabem disso, não é?

— Você gosta dele. — Sirius o olhou sem expressão. — Eu só não entendo o porquê de você não ter nos contado, somos seus amigos.

— Talvez seja porque quando ele contou que gostava do Snape você desmaiou Pads.

— Eu não desmaie, minha pressão apenas teve uma leve queda, e eu já superei. — Sirius olhou completamente ofendido para Remus.

— Eu não tenho nada com Severus, vocês têm que acreditar em mim. — Seu rosto estava quente e ele já não estava mais olhando para seus amigos.

Quando ele disse que gostava de Severus foi puro desespero, vê-lo na frente de um lobisomem mexeu com ele. Se não fosse isso, ele jamais teria mencionado isso para alguém, jamais teria contado que aquele garoto esquisito parecia ter uma espécie de ímã que o puxa para perto desde o primeiro dia de aula.

James se lembra perfeitamente de quando conheceu o outro, das roupas que ele estava usando, se ele se esforçasse ele poderia até lembrar a fragrância do perfume usado pelo outro, Sirius achou isso assustador. Talvez se o outro não tivesse uma personalidade tão difícil, ele poderia ter tentado, mas Severus não era fácil e nunca seria, ele rejeitou todas as tentativas amigáveis de James de se aproximar no primeiro ano, Remus e Peter atribuiu isso aos apelidos que Potter deu ao menino baixinho, mas isso era algo além de seu controle, era tão bom ver os olhinhos de Severus brilharem e seu rosto ficar vermelho, ele conseguia admitir que não era reações causadas por uma boa emoção, mas mesmo assim era divertido.

— Olha aí, só foi falar do Snape que ele começou a sorrir igual maluco. Isso dá medo Prongs, eu já disse.

Seu rosto esquentou ainda mais ao perceber que Sirius estava certo, ele estava sorrindo de maneira esquisita.

— Isso realmente não tem relevância nenhuma agora. Eu só quero saber o porquê de você ter feito isso com o garoto James, eu não consigo entender, eu sempre imaginei que se você o tivesse não o deixaria ir, ainda mais por idiotice sua.

— Eu não tenho nada com ele, por que vocês não acreditam em mim?!

— Você desaparece quase todas as noites e não fala para onde vai, disse que pararia de implicar com ele, mas não consegue ficar nem dez minutos sem olhar em sua direção, principalmente quando ele está perto de alguém, você tenta falar com ele o tempo todo e não consegue deixar suas mãos longe dele, e da pior maneira possível. Você tem tanto ciúmes que me impressiona as pessoas já não terem descoberto seus sentimentos desde o início.

Ele não deixava transparecer tanto assim, aquilo era um exagero, e ele só saia na maioria das noites porque criou o hábito de ir para a cozinha conversar com os elfos domésticos e saber dos assuntos falados nos corredores do castelo, os elfos eram bons em descobrir coisas e de falar sobre elas, e ele não queria ter fama de fofoqueiro ou de perseguidor, porque, coincidentemente, muitas das informações era sobre Severus.

Se as pessoas descobrissem seria embaraçoso para ele.

— Uau Moony, obrigado.

— Remus tem razão, é bastante óbvio quando se sabe o que está procurando.

Antes que ele pudesse formular uma resposta, a porta do quarto foi aberta abruptamente e uma mochila voou em sua direção, pegando bem no meio de seu rosto, o fazendo cair da cama, ainda bem que estava sem óculos. Por que as pessoas estão se sentindo tão à vontade para bater nele?

Se sentando no chão enquanto deixava um gemido de dor sair pelos seus lábios, ele ouviu Remus e Sirius arfarem, como se sentisse sua dor. Olhando para cima ele viu o rosto vermelho e raivoso de Peter, droga, ele tinha se preocupado tanto em não apanhar de Remus que esqueceu que era mais provável apanhar de Peter.

— Qual é o seu maldito problema James Potter? — Peter exclamou fechando a porta em um baque, que ele tem certeza de que foi ouvido por toda a torre.

— Você também não, por favor. Eu não tenho nada com Severus, era mentira. Acredita em mim Peter.

— Você vai continuar mentindo para a gente? Somos os seus amigos, se você nos disser o que está acontecendo ficará mais fácil de te ajudar. Porque depois de hoje, eu acredito que você vai estar bem ferrado com o seu morceguinho. — Pads disse olhando para ele com simpatia.

— Eu adoraria ter algo com ele, mas eu não tenho. O que eu preciso fazer para vocês acreditarem em mim?

Ele já não aguentava mais, porque as pessoas insistiam nisso, como eles não viam que era mentira?

— Você realmente não tem nada com ele? Foi uma mentira? — Peter perguntou calmamente enquanto se agachava do seu lado, que ainda estava sentado no chão frio do quarto.

— Sim Peter, eu juro, não temos nada um com o outro. Vocês realmente acham que se eu tivesse algum envolvimento com ele eu já não teria dado um jeito de falar sobre isso para todas as pessoas do mundo bruxo.

Fez silêncio por um breve instante, e seus amigos pareciam que começaram a acreditar nele. Peter ainda o olhava de perto, sem falar nada, mas conforme os segundos passavam mais seus olhos verdes claros ficavam arregalados e seu rosto pedia a cor.

— Ah, que pena. Achei que seria o fim das suas reclamações de ter que ficar longe do seu morceguinho. — Sirius parecia realmente triste com isso.

— Você realmente não tem nada com ele?

— Não Peter. Eu não tenho.

— Então, você nunca se declarou para ele? — Peter perguntou com a voz estridente enquanto seu rosto ia perdendo a cor, e se tornando mais branco do que o rosto da Murta, e olha que ela já estava morta.

James olhou abismado para Peter, que tipo de pergunta era aquela.

— Por que, em nome de Merlin, eu me declararia para ele? Está maluco Peter, ele azararia até minha oitava geração. As vezes pode até não parecer, mas eu ainda tenho um pouco de orgulho.

Agora parecia que o garoto iria desmaiar, sentando-se ao lado de James, ele colocou as duas mãos na boca, e olhava para seus companheiros de casa, com olhos de cachorrinho choroso.

— O que foi Peter? Está tudo bem? — Remus perguntou gentilmente enquanto ajuda o outro a se levantar e se sentar em sua cama. James se sentiu extremamente ofendido, era aquilo que aquele lobisomem traidor deveria ter feito com ele, mostrado compaixão pela sua situação.

Peter olhou por dois segundos para James antes de desviar os olhos, ele ficou em silêncio um pouco antes de responder.

— Estou bem, obrigado. Apenas pensando, e-eu havia pensado que era verdade, s-sinto muito James. Sinto muito de verdade.

— Está tudo bem, você não foi o único a pensar isso.

James se levantou e começou a andar de um lado para o outro no quarto, ele tinha que pensar em como sair daquela situação.

— Você o quer James? Você quer namorar com ele? — Sirius chamou sua atenção, o Black estava olhando no fundo dos seus olhos.

— Você sabe que sim, mas eu já aceitei que dele eu não vou ganhar nada.

— Então, você o terá. — Black subiu em cima de sua cama. Como se você um sábio dando um sermão para meros mortais. — Acredito que Snape provavelmente fez aquela cena para envergonhar você, uma tentativa de deixar as pessoas com raiva de você, o que ele conseguiu, e dessa forma, você teria que deixá-lo em paz. Não concordam comigo?

Todos acenaram com a cabeça, sentindo satisfeito Sirius voltou a falar. Aquela conversa finalmente parecia que ficaria interessante para James.

— Mas o que ele não contava é que você é apaixonado por ele. Sabe o que isso significa? Que ele, sem querer, deixou uma brecha para você se aproximar.

— Ele pode simplesmente usar a situação para justificar que não quer James por perto. E as pessoas ficariam ainda mais do lado dele. — Remus disse.

— Sim, ele pode. Porém, as pessoas gostam de drama e de fofocas. Tudo o que o nosso lindo menino Prongs tem que fazer é se redimir, criar uma justificativa do porquê não ter assumido o namorado com o esquisitão, uma desculpa que envolva a proteção de Snape, algo que James teve que fazer para o bem dele, isso vai fazer toda a diferença, e também terá que ser um bobo romântico, o que não vai ser difícil para você James. Bobo você já é. — Sirius disse com um sorrisinho irritante. — Desse jeito Snape não vai poder simplesmente ignorar você, não se ele não quiser ser visto como um desalmado, que não consegue perdoar seu grande amor por querer o proteger.

James nem percebeu que estava sorrindo igual um louco, Sirius era até bem inteligente quando queria. Dando pulinhos ele cruzou o quarto, subiu em cima da cama e puxou Pads para um abraço forte.

Era isso, Severus tentou fazê-lo parecer ruim para as pessoas, mas tudo que ele fez foi criar a situação perfeita para que James se aproximasse.

— É bom você fazer as coisas direito dessa fez James. Vou ficar por perto para não deixar você fazer merda.

Remus chamou sua atenção, seu amigo estava com um leve sorriso no rosto, James apenas o lançou o seu maior sorriso. Mas sua atenção foi atraída para Peter, ele ainda parecia diferente, ainda estava pálido, não olhava diretamente para ele e parecia querer fugir, porém James resolveu ignorar aquilo, por hora.

— Mas qual desculpa James poderia usar? — Remus perguntou após um momento de silêncio.

— Eu posso dizer que foi por medo que ele sofresse represarias, todos sabemos que muitos alunos da sonserina são puristas, que odeiam traidores de sangue quase tanto quanto odeiam trouxas e nascidos trouxas, e minha família é considerada traidora de sangue. Não será difícil fazer as pessoas acreditarem nisso. — James disse sem nem pensar muito sobre o assunto.

— Ainda assim ele pode dizer não.

— Como você é pessimista Peter. — Sirius quase rosnou para o mais baixo, o fazendo se encolher.

— Peter tem razão, e é pensando nisso que digo que minha ideia é excelente. Por mais que ele tenha amigos sangue puro na sonserina, Severus ainda é mestiço e os seus amigos não vão poder defendê-lo sempre, pelo menos não se quiserem manter a cordialidade entre as famílias puro sangue, e isso vai levar meu morceguinho direto para os meus lindos braços. De todo jeito ele precisará de mim, tanto para protegê-lo quanto para não ser ainda mais odiado. — Potter terminou de falar enquanto se deitava na cama macia e abria os braços com um sorriso largo no rosto.

— Você não acha isso um pouco exagerado James? Muito extremo? Essa história toda pode realmente o prejudicar. — Remus o olhou cauteloso, agora aquilo parecia uma péssima ideia para ele.

— É claro que não, e, de qualquer forma, foi ele mesmo abriu a porta para isso. Eu sei que posso fazê-lo me amar, eu só precisava de uma oportunidade, uma oportunidade que agora eu tenho. Apenas seria bom ter alguém que fosse amigo de Severus e que também fosse meu amigo, isso facilitaria as coisas para mim, poderíamos o persuadir aos poucos e de forma mais natural. Não temos Evans, — James ignorou Remus dizendo 'por culpa sua'. — E nem o irmão de Sirius, e isso só nos leva a uma pessoa... — O apanhador da grifinória se sentou e olhou fixamente para Peter com um sorriso assustador, fazendo com que o restante dos amigos também encarasse o pequeno garoto loiro.

Pettigrew nunca havia odiado tanto estar naquele quarto como naquele momento.