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“Sabe, prender o cara que você quer expulsar parece meio contraproducente.” Sportacus sorriu irônico com os braços cruzados na pose tão ridiculamente clássica dele. Atrás de grades.
“E você lá sabe o que é contraproducente?” Robbie se ateve de perguntar e, ao invés disso, esnobou com um gesto de mão. “Bla, bla, bla! Você não sabe nada do meu plano genial, Spordiota!” A verdade é que o plano saiu do controle, mas ele não admitiria isso.
“Você vai me deixar aqui por quanto tempo?” Sportacus insistiu, impaciente. Ele estava ali o dia inteiro, seu corpo já estava até dando sinais de que estava perto das 8h8 da noite, mas ele não conseguia sair.
O problema é que Robbie fez uma armadilha que dava para um quarto dentro de seu covil, só que em vez de portas tinha uma grade estilo prisão de filme de faroeste, e ela era estranhamente reforçada para os padrões de Robbie.
“Vamos lá, Robbie”, ele suspirou, “eu preciso voltar para a minha nave para dormir. E você também deveria dormir cedo, sabia? Faz bem para saúde cardiovascular, reduz riscos de Alzheimer e doenças neurológicas e…”
Sportacus estava realmente desesperado para ir para casa.
Necessitado.
Ele podia sentir o corpo esquentando, a pontada no abdômen e a até a salivação aumentando. Estava chegando.
Essa coisa só acontece uma vez a cada dois anos, e ele já deveria ter tomado os comprimidos mágicos que suprimem isso há horas, e se ele não tomar esses remédios ele vai ficar extremamente instável. Ele sequer sabia como se comportava durante esse período, já que nunca deixou chegar a esse ponto antes, mas sabia que era bem ruim.
Mas obviamente Robbie não sabia disso. E Sportacus não iria contar também, claro.
“Robbie, por favor…” Droga! Sportacus queria soar condescendente e não carente.
Robbie congelou. Este tempo inteiro ele estava mexendo em um computador ou algo assim, ele mal o encarou ou fez qualquer piada. De certa forma era estranho, Robbie não perderia a chance de contar vantagem. Era o jogo deles.
“Sportacus…” Oh ôu… Robbie nunca chama Sportacus pelo nome.
“Robbie, me solta.”
Robbie abriu e fechou a boca como um maldito peixinho dourado, ele parecia querer dizer algo, talvez algo de útil, mas em vez disso ele provocou. “Por que eu deveria?”
“Porque senão eu vou…” Sportacus não sabia o que dizer. Nada que ele dissesse seria uma boa escolha, conte a verdade e Robbie teria munição eterna (e, francamente, Sportacus não confiava que Robbie simplesmente não o deixaria lá para sofrer), o ameace e ele estaria indo contra todos os seus princípios.
“Senão o que?” Robbie provocou de novo, um sorriso de escárnio mostrando os caninos humanos que só ele conseguia fazer, os olhos semicerrados o olhando de cima, superiores. Que se dane seus princípios, isso é vida ou morte.
“Senão eu vou acabar com você assim que sair daqui.” Sportacus rosnou contra as grades, os instintos nublando suas decisões. “E nós dois sabemos que eu vou sair daqui uma hora ou outra.”
Robbie piscou uma vez, duas, três… o queixo caiu exageradamente. Isso deve ter o assustado, ótimo. Sportacus provavelmente se arrependeria disso assim que voltasse a si, mas não importava. Nada importava. Ele precisa sair dali.
“Robbie, eu vou te dar 3 segundos de misericórdia, se não eu juro por Goð que eu vou sair daqui a força!” Agora Sportacus estava gritando. Realmente fora de si, acho que é isso que o desespero faz com os seres vivos.
Robbie arregalou os olhos e algo dentro de Sportacus ardeu em culpa, mas ele não conseguia que essa parte viesse à tona. A cada segundo que passava ele sentia que seria uma ameaça ainda pior para Robbie, ele precisava voltar para sua nave o quanto antes.
Ainda bem que as ameaças fizeram efeito, e Robbie levou as mãos tremendo para a chave e depois para abrir a porta que prendia Sportacus. A paciência do herói já estava se esgotando, então quando Robbie finalmente abriu a gaiola ele nem pensou duas vezes e saiu correndo mais rápido que podia para fora daquele covil.
Talvez ele tivesse empurrado Robbie, será que ele se machucou?
Mas não era hora de pensar nisso. Depois Sportacus encontraria uma maneira de pedir desculpas nem que precisasse comprar aqueles doces extremamente cheios de açúcar contra os seus ideais, mas agora ele precisa sair daquele covil, correr para sua nave, subir aquela escada desnecessariamente longa e tomar o remédio antes que ele esteja condenado.
Sportacus empurrou a porta de metal com força sobre humana causando um estrondo e irrompeu pela escuridão. Não que estivesse muito escuro, mas seus olhos não foram feitos para noite, então quando ele não encontrou sua nave nos céus ele imaginou que fosse apenas sua visão prejudicada. Certamente sua nave não teria sumido.
…
Sua nave tinha sumido.
“Onde está?!” Sportacus guinchou, tateando em volta procurando a escada, a nave, qualquer traço de que sua casa e sua salvação estava onde deveria estar.
“Ó, guð minn góður, nei, nei, nei!”
Ele correu desorientado, gritando sem perceber em sua língua nativa e tentando voltar para o covil do Robbie como sua única fonte adulta e acordada de ajuda. Finalmente, entre tropeços, ele se jogou contra a porta novamente, agora fechada, e começou a esmurrar em puro desespero.
“Robbie! Robbie! Eu preciso da sua ajuda!” Ofegante, ele tentou prender os dedos no canto da porta e puxar, mas sem efeito. “Robbie, minha nave sumiu! Me ajude a encontrá-la!”
Sportacus estava se sentindo um animal com um desespero cegante e a fúria substituída por choro, as tentativas de abrir a porta estavam mais e mais exasperados e, em uma força que só pode ter sido da adrenalina, ele finalmente conseguiu abrir uma fresta o suficiente para ter uma pegada melhor para abrir tudo na força.
“Robbie!” Sportacus gritou, sua mente confusa e traída pensando porque Robbie não abriu a porta ao seu chamado, mas, na sua frente jazia o vilão agachado e encolhido. Assustado. Robbie estava encostado em um enorme espelho, e, quando Sportacus ergueu o olhar, ele mal se reconheceu.
Ele estava sujo de areia e grama, o boné torto para fora, os olhos dilatados de uma maneira estranha, os dedos vermelhos de tanto forçar a porta e uma expressão de fúria.
Este não era ele.
A expressão lentamente se contorceu em um choro e ele se agachou em posição fetal, envergonhado e assustado. Sua mente estava nublada e ele sentia como se não conseguisse pensar direito.
Sportacus não sabe quanto tempo se passou, mas ele ainda estava chorando enquanto Robbie o puxava para uma banheira e o jogava na água fria com roupa e tudo.
Robbie se sentou no vaso sanitário e ficou o encarando, ainda em silêncio. Sportacus, agora ensopado, estava lentamente recobrando os sentidos.
A sensação era esquisita, como se ele estivesse lentamente voltando a si depois de um sono longo e estranho, e quando Robbie ofereceu uma maçã ele mordeu sem pensar.
Sportacus mordeu, devagar, meio dormente. A energia serviu para trazê-lo de volta, mas ele estava se sentindo vazio, como se tivesse um buraco no estômago mesmo comendo a fruta. Ou era mais para baixo… não, era definitivamente mais para baixo. Um vazio, uma necessidade, um calor muito estranho e doloroso e assustador e ele queria chorar de novo e…
“Sportacus,” Robbie disse e ele se virou para ver. A visão estava embaçada de lágrimas, mas ele tinha certeza que estava vendo… culpa? Ou talvez pena? Desde quando Robbie Rotten sentia culpa ou pena? “Sua nave vai voltar em uma semana.”
“O que?!” Sportacus levantou de repente segurando nas bordas da banheira e quase escorregando. “O, o que você quer dizer com isso?! Uma semana?! Onde minha nave foi??!”
Robbie desviou o olhar, uma expressão conflitante. Ele se levantou devagar e saiu do banheiro, a mão no trinco e a chave do lado de fora. A imagem de si mesmo selvagem que Sportacus vira voltou à sua mente.
Robbie estava se preparando para prendê-lo lá dentro. Se necessário.
Ele se sentiu envergonhado e desceu, se acomodando no fundo da banheira de novo, e abaixou as mãos na esperança de se tornar menos ameaçador.
“Eu ia te atrair para a nave e programá-la para viajar para o leste por três dias sem parar.” Robbie confessou, o rosto contorcido em uma emoção que Sportacus não estava conseguindo decifrar. “Deu tudo errado. Você caiu aqui, a nave foi embora sozinha e você começou a agir estranho, e eu…” Ele agarrou os cabelos, as sobrancelhas tremeram, e Sportacus viu lágrimas surgirem e começarem a cair sem controle pela bochecha dele. “Eu tentei cancelar por horas, mas só o que consegui foi adicionar o comando de voltar.”
Robbie estava chorando. Robbie estava chorando. Robbie estava chorando.
Sportacus nem conseguia prestar atenção no que ele dizia, seus olhos estavam encarando aquelas lágrimas solitárias escorrendo pela bochecha, fazendo um rastro na maquiagem e o fazendo parecer tão indefeso, tão pequeno. Ele sentiu uma necessidade avassaladora de abraçá-lo, de confortá-lo. Ele realmente não sabe o que está acontecendo com ele.
Sem pensar, Sportacus levantou e foi caminhando em direção a Robbie. Ele nem reparou quando o vilão se encolheu e tentou fechar a porta, ele apenas o agarrou e enterrou seu rosto no pescoço dele, que agora estava completamente molhado e chocado também.
“S-Sporchato! Me solta!” Robbie tentou se contorcer, mas o aperto não afrouxou.
“Não chora.” Ele falou meio abafado pela bochecha amassada, ele sentia os próprios olhos querendo chorar também, de novo.
“Você está bêbado?! O que está acontecendo?!” Robbie parecia exasperado e um pouco patético com as pernas balançando depois de ser erguido. “Argh, você, o que está acontecendo com você?”
Dessa vez Sportacus respondeu sem pensar, algo em Robbie o fazia querer obedecer e agradar sem saber por quê. “Eu estou no cio.”
“Cio?!” Robbie gemeu, o aperto de Sportacus estava quase o deixando sem ar e ele começou a socar fracamente as costas dele. “Me solte, eu não consigo respirar!”
O herói finalmente o colocou no chão, mas apoiou as mãos na cintura, o prendendo da mesma forma. Ele se afastou alguns milímetros apenas para olhar para cima, 13 centímetros de diferença exigiam um ângulo diferente, com um sorriso como um cachorro. Se ele tivesse um rabo ele estaria o abanando.
Robbie parecia frustrado, o que quer que estava acontecendo com Sportacus o fazia viver uma montanha russa de sentimentos e ele nunca sabia o que viria a seguir. Agora eles estavam muito próximos, era desconcertante.
“Aham”, Robbie tossiu desviando o olhar, “como assim cio?”
“Eu sou um elfo,” Sportacus declarou com solenidade e levou uma mão para o chapéu, jogando-o no chão molhado. Ele nunca tinha dito isso em voz alta para não-elfos, especialmente não para um vilão, ele sentiu um frio na barriga. Era como se estivesse entregando uma parte frágil de si, sua confiança, e esperando que Robbie não a quebrasse. Ele jamais teria feito isso em seu juízo perfeito.
Robbie, por sua vez, bufou e levou uma mão para as orelhas pontudas. Elas não eram muito diferentes da de um humano, apenas mais longas e afiadas.
“Eu já sabia, Sportabobo.” Robbie provocou, mas sem a malícia usual na voz. Era quase carinhoso, enquanto sua mão deslizava pelo lóbulo, que tremia. Talvez fosse um pouco diferente da de humanos, afinal.
“Bem,” Sportacus tossiu, de repente tímido com aquela atenção, e inclinou o rosto na direção foi carinho. “Elfos esportivos tem um cio bienal, eu precisava tomar pílulas para parar os efeitos, mas… elas foram embora junto com a minha nave.”
Os olhares se encontraram antes que Robbie desviasse de novo. “E o que esse cio faz com você?”
Sportacus se aproximou de novo em um abraço, as mãos foram descendo mas hesitaram e relaxaram acima das nádegas do Robbie. Não era um lugar particularmente erotico, mas enviou arrepios pela espinha dele. “Eu não sei direito, nunca aconteceu comigo.”
“Nunca?”
“Eu sei de histórias, da época pré civilizada, antes que nossa raça se unisse e crescesse tecnologicamente e… Bem, não parecia nada legal.” Sportacus divagou, memórias de lendas de terror entre as crianças na escola de heróis, de lições nas aulas de biologia… “Agora todos os elfos têm acesso gratuito às pílulas. Elas simplesmente inibem os sintomas totalmente, e ninguém mais fala sobre o que acontece no cio, nós, sabe, só tomamos a pílula e pronto.”
Eles ficaram em silêncio de novo. Não havia muito o que dizer, e Robbie estava consumido pela culpa. Tão consumido que ele não reclamou mais do abraço e continuou acariciando a nuca e a orelha, prestando atenção para cada movimento involuntário.
Eles ficaram assim por um tempo, até que Sportacus finalmente se afastou com um longo grunhido.
Não um grunhido cansado, um grunhido arrastado, rouco, de luxúria.
“Sportapado?” Finalmente, Robbie conseguiu analisar o rosto de Sportacus. Ele estava pecaminoso. Cabelos molhados escorrendo pelo pescoço, a orelha vermelha e tremelicando, as pupilas estavam tão dilatadas que quase cobriam todas suas íris azuis com um preto profundo, e as bochechas visivelmente coradas.
“Eu preciso ir embora.” Sportacus mordeu os lábios e se afastou.
“Sportacus, o que?” Robbie perguntou, confuso. “Ir para onde?!”
“Não me siga, Robbie!” Sportacus desviou e começou a seguir para a porta do covil, ignorando os chamados. A noite estava ainda mais escura, com certeza depois das 8h8, mas ele precisava se afastar das pessoas, principalmente de Robbie.
“Sportamanco! Volta aqui!” Robbie seguiu, mas Sportacus já estava absolutamente encharcado andando no meio da escuridão sem nenhum objetivo. E ele era rápido. Bem rápido. Obviamente que Sportacus seria rápido. “Maldição!”
Um lado egoísta de Robbie queria simplesmente o deixar ir embora, ele saiu porque quis, ele não precisava ficar caçando homens adultos. Mas outra parte… A parte culpada, a parte que viu aquela instabilidade, aquele medo e aquela confusão nos olhos do Sportacus, e, principalmente, a parte que ouviu aquele suspiro pecaminoso e aquele rosto que poderia ser um Incubus vindo sugar sua alma e Robbie ainda permitiria, essa parte queria ir atrás de Sportacus.
Assim, Robbie rapidamente decidiu que ir a pé seria em vão, então ele pegou o manto que ficava jogado na sua poltrona-cama confortável, as três maçãs que ele pegou de pena horas antes, e um chocolate que estava dando sopa para comer no caminho porque ele não é de ferro e o estresse da situação exige um chocolate, e enfiou dentro de sua linda e estilosa tote bag do disfarce de vendedora de Jequiti. Com tudo em mãos ele correu para seu carro mais rápido e menos chamativo possível e foi com o farol alto pelo caminho que viu Sportacus correr.
Sinceramente ele estava preocupado de que o herói com seus olhos ridículos de quem dorme às oito horas da noite tivesse corrido igual uma barata tonta pela estrada e se perdido sabe-se lá onde, mas ele estava a apenas uns quinze kilomètres da cidade, e, depois de apenas uns vinte minutos caçando, quer dizer, procurando, ele finalmente encontrou Sportacus sentado embaixo de uma árvore.
Robbie parou o carro ao lado, o farol ainda iluminando o herói deprimido, e desceu carregando a bolsa por costume. Robbie parou ao lado dele, meio sem saber como reagir ao encontrar Sportacus com o rosto entre as pernas no chão. “Uhhmmm… Você está bem, Sports?”
Robbie sentiu arrepios ao percorrer toda sua espinha quando Sportacus o encarou. Ele não sabia se era a luz dos faróis, o cio ou se Sportacus tinha realmente sido trocado por um Incubus, mas ele sentiu que seria comido vivo ali naquela hora.
“Robbie…” Ele chamou, quase em transe, e se levantou sem desviar o olhar.
Então, de repente, a bolsa tote estava no chão, junto com Robbie, e Sportacus que estava em cima dele. O beijando. Profundamente.
Robbie engasgou com os olhos arregalados, e Sportacus aproveitou para enfiar a língua na garganta e trocar salivas de forma extremamente molhada e barulhenta e nojenta e sexy e o que estava acontecendo.
Ele nem conseguiu reagir, o beijo terminou tão rápido quanto começou com Sportacus brevemente retomando a consciência e se afastando, um fio de saliva entre suas bocas enquanto eles se encaravam.
“Robbie, eu…” Sportacus se afastou limpando a boca com as costas da mão. “Você ainda pode ir embora, entra nesse carro e foge!”
Sportacus estava se afastado sentado, as pernas abertas, e Robbie tinha a visão perfeita da protuberância no uniforme.
“Fugir?” Robbie perguntou, um sorriso de formando. Ele não estava no cio, mas poderia estar. “Por que eu faria isso?”
“Robbie, você não entendeu?!” Sportacus se afastou mais, incrédulo. “Eu vou te estuprar! Eu não consigo me controlar, eu pareço um animal!”
Robbie lambeu os lábios lentamente e se levantou. Sportacus estava entre decepcionado e aliviado, achando que Robbie tinha retornado a consciência e iria para o carro e abandonar Sportacus ali, mas ele ficou ainda mais confuso quando ele calmamente pegou a bolsa e tirou um manto de dentro, e com toda a paciência do mundo como se não tivesse um predador prestes a pular em cima dele bem ali ao lado ele começou a abrir o edredom e estender no chão. Enquanto CANTAROLAVA.
“ROBBIE!” Sportacus se levantou, exasperado, irritado, confuso, o que diabos Robbie estava pensando?! “Você está louco? Eu estou me segurando aqui!”
“O que acontece se você não for… saciado?” Robbie perguntou, sem nem olhar, enquanto esticava o edredom, e, Sportacus não estava louco, ele estava empinando muito mais que o necessário.
“O que?! Bem…” Sportacus olhou chocado. Ele não sabia ao certo, ele duvidava que qualquer um de sua geração soubesse, mas… tinham histórias, histórias ruins, histórias de que um elfo não saciado era um elfo selvagem, um elfo… animalesco. “Eu, bem… Nada bom.” Sportacus disse por fim, a mente confusa e dispersa demais para se dar ao trabalho de explicar.
Ele estava dando tudo de si para não pular em cima de Robbie. Havia um motivo bom para que os elfos civilizados com moral e ética não se permitissem cair em questões biológicas de descontrole sexual. Mas Robbie não estava ajudando nem um pouco.
Nem. Um. Pouco.
“Não parecia que você ia conseguir esperar até voltarmos para o covil, então…” Robbie finalmente terminou de esticar aquele manto e se aproximou com passos de gato, rebolando aquele rabo tentadoramente. Não.
“Robbie, eu não vou conseguir me segurar…” Sportacus estava usando todo o seu auto controle.
“Não precisa.” Robbie sorriu, inocente, parando bem na frente dele como estavam antes, só que agora ele sentia suas excitações se tocando por cima do tecido e reprimiu um gemido mordendo o lábio até sangrar.
Sportacus estava começando a ver nublado, o cheiro do corpo de Robbie estava o atiçando mais ainda, e a proximidade o estava tentando ao máximo. Ele estava literalmente tremendo, lutando contra todos os seus instintos. “Eu não vou ser gentil.”
“Faça seu pior, Íþróttaálfurinn” Robbie sibilou, o hálito quente contra o lóbulo de Sportacus.
Essa foi a última gota.
Sportacus perdeu totalmente o controle e avançou sobre Robbie, derrubando-o com toda a força contra o manto com um beijo violento.
Robbie teve sorte de não estar usando sua roupa favorita, pois ele a rasgou como se fosse papel logo em seguida, expondo sua pele ao frio da noite. Mas não por muito tempo, sua mão ainda úmida, mas quente, cobriu seus mamilos quase que automaticamente.
Robbie sentiu uma onda de choque quando ele começou a apertar bruscamente, uma espécie de dor que o fazia querer mais.
Ele desceu o beijo babado para o pescoço, lambendo e beijando, e, então, Robbie urrou quando ele cravou os dentes até sentir um gosto metálico.
“minn…” Sportacus rosnou repetidamente contra o pescoço machucado. Uma das mãos se ocupou brincando com os mamilos, e a outra desceu até a calça, puxando para baixo para masturbar firmemente o pênis duro e molhado do Robbie. “þú ert minn”
Robbie estava tonto, totalmente à mercê de Sportacus. Sua garganta soltava suspiros cortantes a todo momento, e todas as suas áreas erógenas estavam sendo torturadas. Bem, foi por isso que ele pediu, certo?
Mas ele sentiu seu coração bater estranho ao ouvir as palavras possessivas, palavras que seu pouco conhecimento de icelandic permitia entender como “meu, você é meu”. De certa forma parecia certo.
“Robbie…” Sportacus chorou contra o pênis dele, em algum momento ele desceu seu corpo com beijos e mordidas, e agora o estava olhando como um cachorrinho. Era um pecado.
“Sportacus!” Robbie gritou quando o herói rapidamente ergueu seus quadros e enfiou o rosto na fenda de suas pernas e, sem perder tempo, percorreu todo o caminho com a língua quente e úmida. “Ah, Spor, Sportacus…”
Ele mordeu a mão para abafar os gemidos que surgiam enquanto Sportacus devorava seu ânus. A língua estranhamente longa rapidamente circulou e penetrou o buraco, deslizando por suas entranhas e fazendo cócegas, enquanto seus dentes mordiam e chupavam sem dó.
“Eu vou entrar.” A sensação parou de uma vez, e Sportacus avisou, soltando-o no chão, rapidamente tirando a própria roupa.
Robbie se apoiou nos cotovelos para assistir, erguendo a sobrancelha. Engraçado que a de Robbie foi brutalmente arrancada, mas a dele foi tratada com garbo e elegância, o que significa que Sportacus tirou e dobrou sua roupa com todo cuidado. Parecia piada mesmo.
“Pronto.” Ele se aproximou de Robbie e puxou suas pernas, prestes a encaixar seu pênis e empurrar.
“NÃO! Não! Espera! Não!” Ele pulou para trás, se arrastando.
“Não?” Sportacus sibilou, frustrado. “Você prometeu!”
Robbie ergueu a sobrancelha performaticamente.
“Robbie, eu preciso…” Sportacus chorou, os olhos ainda brilhando no escuro de forma macabra e assustadora. Robbie engoliu em seco.
“Eu só preciso me abrir para você.” Ele se aproximou devagar, um pouco cauteloso. “Não me toque.”
“Mas-” Sportacus abriu a boca para reclamar, mas os dedos do outro invadiram sua garganta com força o fazendo engasgar.
“Shhh…” Robbie provocou enquanto fodia a língua do herói. Os dedos deslizaram pela boca, coletando saliva e esticando as bochechas e uma forma que o deixava quase fofo, e a babá escorria pela lateral dos lábios.
Robbie estava sentindo um misto de sentimentos. Sua barriga formigou com nojo dos fluidos, mas ao mesmo tempo ele sentia seu sangue indo direto para o pênis e era estranhamente sexy ver o herói tão degradado assim. Ele não conseguia deixar de se sentir vitorioso, e de pensar como seria a cara daquelas crianças fofinhas e irritantes se vissem seu grande e digno herói assim? Engasgando em seus dedos logo depois de chupar sua bunda?
“Acho que está bom.” Robbie sorriu com uma falsa inocência quando tirou os dedos com um fio grosso de saliva ainda escorrendo, e Sportacus se virou para tossir e recuperar o fôlego.
Sem esperar, ele apenas se esticou como um gato, seu rosto amassado contra o pano e o quadril empinado, e deslizou os dedos contra o períneo.
A saliva do Sportacus era estranhamente viscosa, parecia um lubrificante de verdade, mas, ainda assim, Robbie grunhiu quando inseriu dois dedos de uma vez.
Ele não se apressou, fazia muito tempo que não recebia visita ali atrás, e, para aguentar aquilo, ele realmente quis se preparar adequadamente.
A cada estocada lenta, ele suspirava, sentindo os dedos o abrindo novamente. Logo ele começou a abrir, tentando amaciar e alargar seu interior.
“E eu?” Sportacus perguntou, o tom exigente, voz rouca e perigosa, mas Robbie não ia aceitar.
“Use sua mão.” Ele instruiu, sem se dar ao trabalho de desviar o olhar, mas inseriu o terceiro dedo.
Contra todo o ímpeto, Sportacus se forçou a colocar a mão no próprio penis e bombear com força, tentando ao máximo manter suas mãos longe do outro, mas a visão não ajudava.
Robbie agora estava ativamente gemendo, os dedos abrindo dentro dele e seu próprio quadril se erguendo para aprofundar o contato.
“Okay, chega.” Sportacus decidiu, ele levantou e foi para trás do Robbie, segurando seu quadril uma força que com certeza deixaria marcas. “Vou entrar.” Novamente, não foi um aviso.
“Aham…” Robbie murmurou, ele tirou os dedos de dentro de si e mal deu tempo de colocar as mãos no chão antes que Sportacus montasse nele como um animal e introduzisse seu pênis de uma só vez.
Robbie gritou de surpresa e dor quando o Sportacus bateu em duas nádegas.
Se eles estivessem numa cama, ela iria quebrar, pois ele bombava com tanta força que os joelhos do Robbie certamente ficariam roxos, e o silêncio da noite era cortado pelo barulho de tapas que que Sportacus fazia toda vez que batia nas coxas do vilão.
De certa forma era bom estarem no meio do nada, pois Sportacus certamente não poupava os gemidos. Ele grunhia, urrava, e xingava como um animal, e Robbie ficaria surpreso se não estivesse tão desconexo da própria mente quanto.
As estocadas eram confusas, sem direção, e isso estava abrindo o interior de Robbie como nunca antes. Algumas vezes, Sportacus conseguia ir com tudo na parte sensível, causando um choque quase doloroso de prazer que corria por toda a espinha, e Robbie se contorcia de prazer.
Poderia ser karma, mas agora quem estava todo babado era Robbie, que sentia o olho revirar e não conseguia se forçar a engolir, e agora estava sentindo o pano molhado sem saber se eram lágrimas, suor, saliva ou o orvalho da grama logo embaixo.
Estava uma bagunça.
Em algum momento, ele conseguiu levar a mão no próprio penis e o bombear em um ritmo tão frenético quanto as estocadas de Sportacus, até sentir a inconfundível sensação do clímax.
Enquanto ele convulsionou de êxtase, Sportacus urrava, sentindo os músculos do Robbie se apertando em volta de seu pênis, e ele logo sentiu o fluxo de gozo correndo pelo intestino enquanto o seu próprio escorria pelos dedos.
Ambos pararam para respirar, ofegantes. A mente do vilão lentamente voltando à tona, pensando que já tinha acabado, um sorriso triunfante se formando.
Até que Sportacus sai e entra de novo. E de novo. E de novo.
Aí meu Deus.
Sportacus ainda tem muita energia.
A bochecha e o pescoço de Robbie doem do atrito no chão e ele sente suas nádegas quentes de cada vez que Sportacus bate nelas quando entra mais uma vez. A sensação começou a ficar de dormência, e seu pênis não ficou ereto de novo.
O prazer foi se tornando um pouco de dor, e ele definitivamente não conseguiria nem andar no dia seguinte. Mas, no fim, ele decidiu ficar apenas lá, sendo usado como depósito de porra.
Ele perdeu a consciência na terceira vez que Sportacus finalizou. Seu último pensamento era de que Sportacus lhe devia muito. MUITO.
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Sportacus retomou a consciência na quinta vez.
“Robbie?” Ele chamou, ainda dentro, sentindo a euforia pós clímax e o cio se esvaindo. Não é como se não fosse ele ali, mas era como se ele estivesse sob anestesia e acordado. Ele sabia o que tinha feito até então, eram seus instintos e suas vontades, mas elas não passaram pelo filtro de bom moço ou até de segurança, e agora ele estava dentro de um Robbie desacordado. “Robbie?!”
Oh ôu, isso é um problema. Isso é um grande problema. Robbie jamais o perdoaria, ele teria que ir embora da cidade depois disso, ou seria melhor ficar e assumir a culpa? Mas forçar Robbie a ver seu agressor seria uma boa ideia? Mas simplesmente o abandonar depois de ter o deflorado tão violentamente? O que ele deveria fazer?!
“Hmmm…” Robbie murmurou ainda dormindo, o vento frio causando arrepios, mas foi o suficiente para tirar Sportacus do transe.
“Certo, primeiro preciso te tirar daqui.” Sportacus disse em voz alta, tentando organizar seus pensamentos. Ele segurou a cintura do Robbie com delicadeza, e então, ele o viu. Tal qual um sonho. Um sonho molhado, sem dúvidas, mas ainda assim, não parecia real.
Robbie estava brilhando, o farol do carro estava ficando bem mais fraco, provavelmente iria descarregar a bateria logo logo, mas a luz amarela suave misturada com as estrelas estava dando um ar quase etéreo ao homem, o que é quase um paradoxo.
Sportacus sorriu contido, pensando em como aquele homem alto, dramático, com feições fortes, e extremamente autoconfiante, aquele cara que vivia tentando o expulsar com artimanhas divertidas, podia parecer indefeso e angelical sem as camadas de roupa, com o topete sempre bem alinhado totalmente bagunçado, e totalmente vermelho e marcado por ele.
Marcado por ele… Isso pareceu certo para Sportacus. Mas não, não, ele não pode se sentir assim, não depois do que acabou de fazer.
Sportacus finalmente ergueu os quadris de Robbie e deslizou para fora com um suspiro. O espaço apertado e aconchegante dando lugar ao frio da noite. Bem, tudo que é bom precisa acabar um dia
Ele olhou para onde estavam as roupas de Robbie. Ou melhor, para onde estavam o que um dia fora as roupas de Robbie. Agora não passavam de retalhos. Ele se amaldiçoou por isso, pensando em como o vilão era apaixonado por suas peças, e olhou em volta, pensando em como deveria o cobrir.
Obviamente, em volta não tinha nada. Ele suspirou derrotado. Seu olhar se vidrou em sua semente, saindo do ânus de Robbie e gotejando no manto. Era… Nossa, era tão pecaminoso. Tão pessoal. Tão certo.
Não, chega disso.
Sportacus balançou a cabeça, e então focou no manto no chão. Teria que servir. Com cuidado ele se levantou, tentando não perturbar Robbie, e o enrolou como um taco, mantendo a parte suja de grama longe da pele dele e, depois disso, o colocou deitado no banco de trás do carro.
Então ele voltou o olhar para a própria roupa, com Robbie quente e seguro ele conseguiu se vestir -- engraçado que ele rasgou a roupa de Robbie mas a sua estava intacta -- e então finalmente foi para o carro.
Ele estava meio tonto, provavelmente fome e cansaço, mas precisava levar Robbie em segurança para o covil.
Sportacus mordeu a bochecha ao girar a chave, torcendo para ouvir o barulho do motor, e, ainda bem, deu certo. Finalmente ele poderia ir.
Ou não. De dentro do carro ele conseguiu avistar a bendita bolsa de Robbie. Ele não entende de moda, mas parece aquelas bolsas de senhora. Robbie e seus gostos estranhos, ele revirou os olhos, carinhoso.
Devagar, ele saiu do carro e parou por uns segundos, a tontura batendo mais forte, mas ele caminhou até a bolsa e a pegou. Ela estava vazia, exceto por… três maçãs.
Sportacus sentiu seu olho arder, e quando viu estava sentado no chão comendo as maçãs enquanto chorava copiosamente, abafando os soluços o máximo que podia para não acordar Robbie.
Ele era tão patético, chorando de novo, será que ainda era o cio? Ou ele só era chorão assim quando não dormia no horário? Robbie lembrou dele, trouxe três maçãs, ele era tão patético e idiota e um Sportaflop mesmo.
Ele deveria levar Robbie para o covil, mas as lágrimas o estavam atrapalhando.
“Ei, Sportário!” A voz inconfundivelmente desdenhosa de Robbie irrompeu o silêncio da noite e acalmou a cachoeira de lágrimas. “Você está esperando o que para me levar para casa?!”
“O que?” Sportacus fungou e caminhou para o carro. “Robbie? Você está bem?”
“Bem mal…” Robbie hesitou, a voz suave de cachorrinho de Sportacus o fez e deu rosto genuinamente preocupado pela porta do motorista o fizeram desistir de ser uma peste. Mais ou menos. “Eu ficarei melhor em casa.”
“Ah, sim, claro, her…” Sportacus tossiu, enxugando as lágrimas e foi começou a dirigir. “Desculpa, eu… Eu fui um monstro.” Ele admitiu, a voz falhando. Dizer isso em voz alta foi tão doloroso.
Quer dizer, ele realmente gostou da sensação, mas não foi certo, e ele se sentia o pior ser da face da terra.
“Me perdoa.” Ele implorou por fim, ele sabia que não tinha direito de pedir isso, mas não conseguiu deixar de ser um pouco egoísta.
Silêncio.
“Robbie?” Ele chamou, olhando pelo retrovisor, e então sorriu. “Ah, você está dormindo.”
Robbie não iria quebrar essa ideia. Na verdade, sua própria mente estava ocupada com os pensamentos, tentando se convencer de que era um vilão, então tudo bem se aproveitar de alguém.
Era o trabalho dele.
Ele era mal.
“Chegamos…” Sportacus sussurrou segurando-o como uma princesa. Ele estava meio estabanado e conseguiu fazer muito barulho, mas Robbie permaneceu quieto.
Depois de alguns desafios, Sportacus finalmente chegou no enorme sofá cama, e colocou o vilão delicadamente.
“Boa noite”, ele sussurrou, e deixou um leve selar na testa de um Robbie, supostamente, adormecido.
Quando Sportacus se levantou e ficou alguns segundos ao lado da cama, apreciando a vista e se auto depreciando, Robbie ficou debatendo o que fazer.
Ele era um vilão, tudo bem ser egoísta.
“Não sabia que era do tipo que come e vai embora.” Ele murmurou, agressividade como seu método de defesa.
“Não! Jamais! Eu…” Sportacus começou a gaguejar, procurando uma resposta, sem saber o que dizer. “Jamais, desculpa eu-
“Apenas cale-se e deite comigo, pelo amor.” Robbie agradecia aos céus por Sportacus não estar vendo seu rosto, provavelmente vermelho e quente de vergonha.
Sportacus sorriu de orelha a orelha.
O herói de embrenhou por baixo do manto, os pés ficaram se agarrando e os braços dele serpentearam em volta de Robbie, e eles estavam sujos e suados e Robbie provavelmente ficaria com gastura no dia seguinte, mas por enquanto eles estavam bem.
