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Yasopp tirou a touca assim que fechou a porta, indo para a cozinha para guardar as compras. Infelizmente, ele agora precisa esconder seus maravilhosos dreads para evitar ser pego pela polícia.
Fugir de intimações judiciais sobre pensão alimentícia costuma ser relativamente fácil em cidades grandes, mas esse não é o caso em East Blue, uma cidade de apenas 40 mil habitantes. Ele dissera à sua esposa que viajaria para procurar emprego na capital, Loguetown, mas acabou parando em um bar e gastando o dinheiro da passagem em cerveja.
Ele se arrepende, é claro, mas agora não há como voltar atrás. A vergonha não o permitiu voltar para casa, para ver o rosto decepcionado de Banchina e a desilusão nos olhos de Usopp.
Isso faz meses, e agora sua amada mulher acha que ele os abandonou. Ele o fez, de certa forma.
Ele agora mora com seu amigo Shanks, que não está muito melhor do que ele. Ele largou sua filha mãos velha, Uta, em um internato e deu o número de Makino como responsável. Este é o outro ponto, porque Makino era sua namorada quando isso aconteceu e ela estava grávida. Ele foi embora largando a filha e a mulher grávida.
Shanks nunca foi flor que se cheire, mas é um bom amigo.
Haviam outras pessoas na casa na mesma situação que eles, como Gecko Moria, ex-lider de uma quadrilha que largou a filha Perona no cartel quando a polícia o invadiu. A pobre menina nunca fizera nada de errado, acabou sendo adotada por um policial chamado Mihawk.
Também havia Roger, que abandonou seus filhos gêmeos, Ace e Sabo, quando a esposa morreu. Ele raramente aparecia na casa, mas suas coisas estavam guardadas lá.
E não se pode esquecer de citar Brook, que foi intimado a pagar pensão para a mãe de um rapaz chamado Aokiji, ao qual ele nega ser pai. Ninguém sabe se ele fez o menino ou não.
Os habitantes da pequena casa de um único andar se revezavam quando precisavam sair para ir ao mercado ou ao banco fazer mais empréstimos. Hoje foi a vez de Yasopp.
O homem seguiu sua rotina normalmente, sem notar o policial disfarçado fingindo ler um jornal do outro lado da rua.
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— Certo, alguma nova informação? - Perguntou Smoke, responsável pela investigação.
— Todos os suspeitos estão na residência do Ruivo. - Disse Koby, que seguira Yasopp no outro dia.
— Ruivo? Um dos principais suspeitos da operação MarineFord? - Helmeppo exclamou, lembrando a todos da grande investigação sobre pirataria de CD's de filmes e jogos que ocorria no centro da cidade.
— Sim. - Afirmou o de cachos rosados. — Pelo que pude ver, tanto ele quanto o ‘Gold’ estão lá, junto do Gecko Moria, vulgo ‘Cebolão’.
Ao fundo, Dracule cerrou os punhos de irritação. Perona, mesmo sabendo dos atos terríveis do pai, ainda chorava de saudades. Ele não a culpa por isso, pelo que soube, ele era um bom pai até largar a menina sozinha com policiais armados e hostis de adrenalina.
A invasão seria em breve, e eles iriam com tudo.
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Shanks estava bêbado. Muito bêbado. Muito mesmo.
Talvez tenha sido a embriagues, talvez a idiotice, mas algo o impediu de pensar racionalmente quando a porta da frente estourou.
Apenas ele estava na sala, os outros estavam espalhados pela casa.
Pensando rápido na tentativa de se esconder, o homem de olhos pretos levantou cambaleando do sofá e agarrou a luminária próxima à parede com mãos desajeitadas. Separou o cabo da cobertura da lâmpada, enfiando-a na cabeça e tomando o lugar do cabo.
Enquanto ele fazia seu teatrinho, a equipe o olhava completamente atônita, incapaz de acreditar que um dos criminosos mais procurados da cidade se esconderia de forma tão estúpida.
Avançando lentamente, Tashigi levantou a decoração de plástico dos fios carmesim e olhou nos olhos desfocados do criminoso.
— Ih, lascou… - Riu o Ruivo, saindo de sua posição e tropeçando pelo corredor, sem realmente registrar que estava sendo seguido por quase vinte oficiais embasbacados. De repente, Shanks encheu o pulmão e gritou:
— PESSOAL, A CASA CAIU! PEGARAM A GENTE! - Ele gritou, abrindo a porta de um quarto e puxando o pé magro de Brook, que se escondia debaixo da cama.
— Não… Não, Shanks, eles pegaram você. - O moreno murmurou, atordoado enquanto era algemado.
Com a ajuda bêbada do homem, eles pegaram todos os habitantes do lugar. Smoker quase riu de indignação ao notar todo o preparo que eles tiveram apenas para ter tudo de mão beijada por uma das pessoas que eles prenderam.
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Meses de trabalho voluntário em regime semi-aberto passaram voando e logo era Natal. Os prisioneiros seriam soltos em pouco tempo.
Tashigi, sempre sociável, organizou uma comemoração com algumas pessoas especiais. Ao saírem da cadeia todos juntos, a pequena quadrilha e agregados foram levados de carro ate um salão de festas com direito a uma pequena surpresa.
Todas as crianças e suas mães já estavam brincando lá, Makino, Rouge e Banchina envolvidas em uma conversa e ignorando resolutamente a briga cada vez mais agressiva entre Ace e Uta, com Usopp e Luffy torcendo atrás. Sabo e Aokiji conversavam sobre insetos, uma pequena paixão dos dois, Perona fazendo uma careta cheia de nojinho ao ouvir a conversa animada. Mihawk apenas observava a situação, vez ou outra comentando algo com a ex-mulher de Brook.
Como um toque final, Smoker e sua equipe entraram pelas grandes portas do salão trazendo Roger, Shanks, Brook, Moria e Yasopp enrolados em fitas coloridas com lacinhos acima da cabeça. O melhor presente de Natal que as crianças negligenciadas poderiam receber, sem nem um pingo de ressentimento no olhar.
