Actions

Work Header

Azul como Gelo

Summary:

Dean Winchester, o herdeiro de um império tradicional, leva uma vida dupla: ele cumpre as expectativas da família enquanto, secretamente, lida com sua bissexualidade reprimida. Mas essa negação da sua atração por homens desmorona quando ele conhece o carismático e poderoso CEO rival, Castiel Novak.

Anos depois, os caminhos de Dean e Castiel se cruzam novamente em uma parceria de negócios devido à queda da bolsa de valores. A química entre eles, ligada a um segredo que ambos guardam sobre o submundo BDSM, é inegável. Então Castiel propõe a Dean um contrato de submissão e dominação para explorar essa atração mútua.

A relação, inicialmente focada apenas em prazer e regras, testa os limites entre o BDSM e o pessoal. Eles são forçados a confrontar seus medos mais profundos e a descobrir se essa conexão intensa é apenas um jogo de luxúria... ou um amor verdadeiro capaz de desafiar as expectativas da sociedade.

Notes:

Essa é uma fanfic +18 que contém cenas de sexo explícito. Os capítulos serão povs alternados.

Como vocês já devem ter visto, a fanfic terá a dinâmica BDSM. Não irei aprofundar aqui porque a própria história é autoexplicativa. Tentarei escrever em base no que sei do universo porque esse tipo de relação é diferente em cada caso. Não terá estereótipos aqui, tratarei a dinâmica da forma mais certa que eu conseguir. Não esperem algo no estilo "Baby Sugar."

O apelido do Dean no contrato é "Pet". Existem nomes dentro da dinâmica, e se você não for acostumado, pode estranhar, então só deixa a história fluir.

Dean será submisso, mas isso não quer dizer que ele sempre será bottom. Eles são flex, mas terão mais cenas do Cas sendo top.

Como escrevo sozinha, possui erros que não vi, então relevem, e se for algo que prejudique o desenvolvimento, me falem para mudar.

A fanfic abordará relacionamento abusivo (não entre Dean e Cas) e homofobia. Também terá menções a automutilação, tentativa de autoextermínio e abuso (não é nada muito detalhado, mas tem)

Boa leitura e não se esqueçam de comentar e darem kudos, isso melhora muito o meu dia!

Chapter 1: PRÓLOGO

Chapter Text

Dean ajustou os óculos grandes em seu nariz e sentiu seus olhos fecharem por um breve segundo. Era o quinquagésimo slide sobre finanças, e a explicação monótona da professora deixava tudo ainda mais arrastado em sua mente. Seus colegas estavam da mesma forma, quase dormindo. Charlie, esperta como era, saiu e pediu para ele anotar seu nome na lista de presença.

O Winchester não queria fazer um curso de administração, mas quando sua família é dona de uma empresa tradicional, era impossível ter algum tipo de escolha. Ele não estava reclamando, ser herdeiro de um império não era nada mal, mas, de fato, não havia muitas opções; sem contar que ele era o primogênito, o que gerava expectativas em todos.

O horário da aula terminou, e ele suspirou de alívio, fechando o notebook e guardando-o em sua mochila. Andou em direção ao refeitório e revirou os olhos quando viu a mesa do time de futebol cercada de líderes de torcida gostosas. Lisa Braeden acenou para ele com um sorriso, e o Winchester ficou com o coração acelerado. A líder de torcida era apaixonante e tinha transado algumas vezes com ele, mas ela nunca lhe deu expectativas de algo mais sério, pela falta de popularidade dele. Ela andava com o time, e namorar um cara de óculos, magricelo e estranho não seria bom para sua imagem.

Quando ele foi se sentar para comer o seu lanche, um homem alto o empurrou no chão e fez seus óculos caírem, deixando-o praticamente cego. Isso não era o ensino médio, mas esses caras não se importavam. Ele tateou o chão e colocou os óculos, vendo que as lentes estavam trincadas. Escutou algumas risadas, mas, ao fundo, ouviu a voz de Lisa repreendendo todos.

— Você está bem? — Ela esticou a mão para o Winchester, levantando-o.

— Não é nada que eu já não esteja acostumado, Lis.

Ela sentou na mesa com uma mini saia que deixava as suas coxas à mostra. Dean já tinha superado a puberdade, mas queria arrastá-la para o banheiro e fodê-la contra a parede.

— Esses caras são tão imbecis e imaturos, Jonas faz medicina e tenho até medo se um dia precisar ser atendida por ele — Lisa fez uma careta, e Dean soltou uma gargalhada. — Onde está aquela sua amiga ruiva?

— É Charlie, vadia — Charlie encarou Lisa de cima a baixo com um sorriso de lado.

Dean deu um olhar feio para sua amiga, mas parou no meio quando viu a líder de torcida retribuir o flerte.

— Qual é?! — Ele revirou os olhos.

— Preciso ir, a gente se vê por aí — Lisa piscou para Charlie e saiu saltitando.

— Sua fura olho! — Dean falou, indignado.

— Foi ela que me deu bola, você sabe como sou irresistível — Charlie deu de ombros e encarou o Winchester. — Jonas te jogou no chão de novo?

— Eu tropecei.

— Dean! Você não pode deixar esse babaca te tratar assim!

— Não posso fazer nada, Char. Se meu nome parar em um site de fofoca por causa de uma briga, meu pai vai me matar.

Charlie respirou fundo e cruzou os braços, sentando-se ao lado do Winchester.

— Isso é uma merda — ela deu uma mordida na maçã que tirou da mochila. — É hoje que você vai à Novak Companies?

— Sim. — Ele arfou em desânimo. John sempre o arrastava para ver os negócios, que eram ainda mais tediosos que as aulas.

A Novak Companies era a principal concorrente das Industries Winchesters, e John, como o homem de negócios que era, gostava de deixar os inimigos por perto, apenas por garantia. Ele marcou uma reunião com o novo presidente para ver se um trabalho de mão dupla seria viável. Sinceramente? Dean não estava confiante nisso; a Novak Companies já era grande o suficiente, se não mais do que a empresa da sua família.

— O novo presidente é um sonho — Charlie deu um gemido de brincadeira.

— Você não é lésbica? E como sabe como ele é?

— Sou lésbica, idiota, falo por você — ela revirou os olhos. — Vi uma foto dele em uma festa de arrecadação de fundos para a caridade, e havia um texto falando que ele seria o novo presidente da Novak Companies. Ele faz o seu tipo.

— Eu não sou gay! — Dean disse com raiva, e algumas pessoas olharam para ele.

— Calma aí, estressadinho, eu não disse isso.

— Eu não curto caras.

— Aquela vez na festa de Halloween você curtiu muito quando aquele cara te levou para o quarto. E sempre que saímos para alguma boate, você pega alguns homens, Dean.

Dean olhou ao redor, torcendo para que ninguém tivesse escutado. Ele não era gay, ele gostava de mulheres, gostava muito.

— Isso acontece quando fico bêbado, e não rolou nada além de alguns beijos. Todo mundo tem uma fase meio gay, Char.

Ela revirou os olhos e não prosseguiu com o assunto sobre a sexualidade do amigo. Dean tinha cem por cento de certeza de que era hétero. Ele ficou com aqueles caras, mas não significou nada. Explorar um pouco em sua idade não era uma coisa de outro mundo.

— Ok — ela disse com um tom de voz desanimado. — Quero que assine meu nome de novo. Vou tentar pegar a líder de torcida gostosa — ela olhou para Dean com um pouco de receio. — Está tudo bem para você?

— Sim, eu e Lisa não temos nada, pode ir fundo — ele deu de ombros.

Charlie sorriu e beijou a bochecha do Winchester com um estalo alto.

— Eu te amo muito!

Voltar para a sala de aula foi torturante, ainda mais devido às lentes trincadas dos seus óculos. Dean era míope e não enxergava nada, então ficar sem não era uma opção. A aula ocorreu de forma lenta, e, quando terminou, Dean pegou os livros e a calculadora para ir embora.

O carro do seu pai estava do outro lado da rua, e ele xingou vários palavrões baixinhos. Ele poderia ter vinte anos, mas, se seu pai ouvisse um "filho da puta" saindo dos seus lábios, ele apanharia. John não era um péssimo pai, mas também passava longe de ser um dos bons. Tudo para ele girava em torno dos negócios, e ele tratava a própria família assim também.

— O que aconteceu com seus óculos?! — John olhou para o filho com raiva.

— Houve um pequeno acidente — Dean abriu a porta do carro e entrou, jogando a mochila de qualquer jeito no banco de couro.

— Dean, você é a porra de um Winchester e meu sucessor. Não admito você apanhar por aí. Como vai tocar a empresa assim, tão fraco?

Eu não preciso ser um babaca para isso, pensou.

— Entendi, pai — ele abaixou o olhar.

John pegou o queixo do filho fortemente e o fez encarar seus olhos.

— Ou você se torna forte, ou te comerão vivo.

Dean balançou a cabeça com dificuldade enquanto respirava fundo. Desde criança, ele ouvia que era fraco, que precisava ser como seu pai, mas, no fundo, ele nunca quis ser como John, nunca. Passar a infância ouvindo sua mãe chorar baixinho porque descobriu que foi traída e ser agredida por achar isso ruim o fez ver o próprio pai como um monstro.

O carro se moveu pelas ruas movimentadas de Nova York até parar em frente a um arranha-céu espelhado. O dia estava quente, e Dean teve que limpar o suor que começava a se formar em sua testa. Ele estava transpirando no terno, e seus pés fritavam nos sapatos sociais apertados. John já havia avisado que horas eles iriam à Novak Companies, então Dean foi para a universidade pronto; ele apenas não imaginava que faria tanto calor.

Dean e John saíram do carro e começaram a andar até entrarem em um elevador. A recepção era enorme, e várias pessoas andavam de um lado para o outro, conversando em celulares, ocupadas demais para perceberem algo bem debaixo de seus próprios narizes.

John saiu do elevador como se fosse um Deus, e confiança emanava de sua pele. Ele ajeitou o terno e conversou brevemente com uma mulher morena, que logo passou as coordenadas da sala de reuniões. Pelo menos estava mais fresco que o lado de fora, e Dean se sentiu relaxado em seu terno.

Eles andaram até uma porta de vidro e entraram em um grande cômodo que tinha uma vista privilegiada do Central Park.

— Seja bem-vindo, Sr. Winchester e...

— Dean Winchester — Dean deu um sorriso treinado e apertou a mão do homem. O Sr. Novak era... oh..., sim, gostoso, certamente.

Ele piscou algumas vezes e deu alguns passos para trás, o que fez o Sr. Novak olhá-lo de forma estranha.

Novak estava vestindo um terno bem justo, e apesar de John estar impondo autoridade de forma silenciosa, claramente o outro homem carregava mais dominância, como se fosse algum tipo de essência. Novak deveria ter uns trinta anos, o que o tornava um presidente muito jovem.

Todos se sentaram, e John começou a falar sobre margem de lucro e bolsa de valores. Dean desviou o olhar para o Central Park, concentrando-se em uma menina que brincava com seu cachorrinho de estimação. Ele esboçou um pequeno sorriso, mas foi arrancado do devaneio por uma voz extremamente grave, que fez seus pelos se arrepiarem.

Dean olhou assustado para o presidente.

— Quero saber o que tem a dizer, Sr. Dean Winchester.

Dean olhou para o pai em desespero, engoliu em seco e fitou Novak, tremendo um pouco.

— Eu... acho que as duas empresas estão lucrando muito bem e que juntar forças seria muito viável. O mercado está crescendo e concorrentes surgindo.

— Ok, mas não estou interessado em fazer negócios com a Industries Winchesters, então, se puderem se retirar...

John olhou para Novak como se fosse lhe dar um soco, enquanto o presidente exibia um pequeno sorriso atrevido.

— Sr. Winchester, deixe seu filho por um minuto. Prometo que será rápido.

John ajeitou a gravata e saiu em passos pesados. Novak encarou Dean, que se sentiu desconfortável sob o olhar azul gelado do outro homem. Sem a pressão do pai na sala, ele reparou em Novak: barba bem aparada, mandíbula marcada e nariz pontudo. Engoliu em seco e, de repente, percebeu que estava meio excitado.

Que merda era essa?

— Quantos anos você tem? — Novak perguntou casualmente.

— Vinte, senhor.

— Ah, sim. Achei que tinha um pouco menos — Novak avaliou o Winchester, e Dean sentiu-se envergonhado por ser um magricela de óculos. — Seus óculos estão trincados. Foi algum valentão da faculdade ou o quê? — Novak se levantou e cruzou os braços, parecendo curioso.

Dean, definitivamente, não reparou em como os bíceps do presidente esticaram o tecido do terno caro.

— Desculpe, mas isso não é da sua conta.

Novak olhou para o Winchester, surpreso e um tanto assustado, mas não comentou sobre a pequena falta de educação em um ambiente profissional.

— Conheço o tipo do seu pai e percebi seu desconforto na presença dele — disse Novak. Dean olhou para ele, surpreso. — Quero saber o que você acha da parceria.

— Oh... — Dean abriu a boca sem querer. — Para ser honesto, é uma bobagem. Papai está com medo de ser nocauteado por você.

Novak riu alto, e algo no estômago de Dean torceu. Era bom ouvi-lo rir, e ele não sabia o porquê. Novak tinha uma postura profissional e rígida, semelhante à de John, mas parecia ser legal, pelo menos.

— A Industries Winchesters também é um grande negócio.

— Eu também acho, senhor.

— Castiel.

— O quê?

— Meu nome é Castiel.

— Ok, Castiel

***

Dean passou o dia inteiro pensando em cada detalhe da reunião daquela tarde. Castiel havia percebido seu desconforto e demonstrou interesse em ouvi-lo, como se ele fosse mais importante que o próprio John Winchester. Quando seu pai perguntou o que havia acontecido enquanto estavam a sós, Dean explicou que não era nada de mais — o que era verdade.

Ele não queria acreditar, mas algo em Castiel havia chamado sua atenção no momento em que pôs os olhos nele. Insistia com sua melhor amiga que era hétero, que homens não eram a sua praia, mas Cas parecia muito... bom. 

Querendo espairecer, Dean decidiu sair para relaxar e pesquisou alguns bares distantes no Google — ele não queria esbarrar com alguém da universidade. No fim, não escolheu nenhum. Queria algo mais... ousado. Dean já havia ouvido falar de alguns clubes de BDSM na cidade. Talvez fosse isso que ele precisava para parar de pensar tanto sobre sua sexualidade, que, aliás, ele considerava bem resolvida.

Dean pesquisou e clicou em um site, vendo o endereço. Havia algumas fotos, mas nada muito explícito, o que indicava que o lugar era provavelmente privado. Ele pegou sua carteira e celular e saiu do quarto.

— Aonde você vai? Está tarde — perguntou Sam, segurando um pote de sorvete enquanto assistia uma série na TV.

— Vou beber um pouco — respondeu Dean, ajeitando os óculos ainda trincados no nariz. — Não conte a ninguém.

— Cem pelo silêncio.

Dean revirou os olhos e entregou o dinheiro a Sam, irritado.

Vadia oportunista.

— Tenha uma boa noite, Dean. Use proteção e...

— Cala a boca! — Dean ouviu a risada de Sam enquanto saía para pegar a baby, seu clássico Impala.

Ele saiu sem problemas e seguiu o endereço do clube pelo GPS no celular. Logo chegou ao local e viu diversas pessoas entrando e saindo, todas vestidas de maneira comum.

Ele entrou na fila e foi avaliado por um segurança, que certamente pensou que ele era algum garotinho perdido. Dean tirou a identidade, e o segurança relaxou os ombros, pegando uma caixa.

— Nada de celulares lá dentro. Na saída, poderá pegá-lo de volta, não se preocupe.

Dean acenou com a cabeça e colocou o celular na caixa. Pagou o homem, recebeu um ingresso e finalmente entrou no clube. O ambiente era escuro, com luzes vermelhas por todos os lados. No começo, não parecia grande coisa, mas logo viu uma mulher sendo masturbada por outra, o que o assustou e o fez desviar o olhar.

Havia várias pessoas nuas ou quase nuas, e por mais estranho que fosse, era... interessante. Um homem passou ao lado de Dean usando apenas uma coleira, e Dean suspirou ao descer o olhar por seu corpo. O cara ao lado dele olhou-o de forma ríspida, e Dean, constrangido, pediu desculpas.

Ele avistou um barman servindo bebidas em um balcão e pediu uma dose de vodca para relaxar. O barman, sem camisa, o serviu com um sorriso de flerte, que Dean ignorou. Logo, sentiu alguém se sentar ao seu lado.

— Nunca te vi por aqui antes.

Dean se engasgou com a bebida. O homem devia ter pelo menos uns cinquenta anos.

— É minha primeira vez. Só estou observando.

— Ah, então é inexperiente? Adoro novatos. — O homem sorriu de forma maliciosa, e o estômago de Dean revirou.

— Cara, eu não curto... isso.

— Você ouviu o que ele disse — interveio o barman em tom ameaçador. — Gabriel está louco para te banir, então, se fosse você, eu não abusaria, Alastair.

Alastair bufou e foi embora. Dean suspirou aliviado e olhou para o barman, que o havia livrado de um tarado assustador.

— Muito obrigado. Qual o seu nome?

— Benny — disse o barman, estendendo a mão. Dean a apertou com um sorriso. — Qualquer coisa assim, você me avisa... — Benny olhou para Dean. — E qual é o seu nome?

— Dean.

— O que te traz aqui, Dean?

— Acho que tédio.

— Oh, um novato no mundo BDSM querendo descobrir como funciona.

— É, pode ser. Só preciso esvaziar a mente — disse Dean, dando um gole na vodca.

— No andar de cima acontecem as cenas. Aqui é mais para você conhecer pessoas com os mesmos interesses.

— Cenas? — Dean perguntou, tão inocente que fez o barman rir.

— Sim, acho que você encontrará algo interessante lá.

Dean acenou e se despediu de Benny, caminhando em direção às escadas que levavam ao próximo andar. Ele ouviu o som de um chicote seguido por um gemido alto, o que o fez arrepiar-se da cabeça aos pés. Porra, porra, porra. Dean deu mais alguns passos e avistou uma sala vermelha com vários sofás confortáveis. Olhou para o palco e viu uma mulher totalmente nua, amarrada em um X. Caralho. Ela estava completamente exposta e vulnerável, mas parecia estar adorando.

A boca de Dean ficou seca, e sua calça apertada. Ele olhou ao redor e viu várias pessoas assistindo enquanto bebiam ou acariciavam seus parceiros. A sala cheirava a excitação, o que impressionou Dean. Ele sentou-se em um sofá macio e, dessa vez, prestou atenção no homem atrás da mulher. Alto, musculoso, moreno... Inferno, parecia Cas, mas isso devia ser apenas fruto da sua imaginação.

O homem usava uma máscara preta, assim como a mulher, então era impossível identificar sua identidade. Ele também vestia uma calça jeans que deixava sua excitação bastante evidente.

O dominador — Dean, embora inexperiente, sabia sobre a dinâmica — amordaçou a mulher e vendou seus olhos. Em seguida, pegou um vibrador e a penetrou, fazendo-a contorcer-se de prazer, como se fosse algo quase insuportável. O homem passou a ponta dos dedos pelos seios dela, beliscou-os e, por um instante, olhou pela sala, parando o olhar em Dean.

Dean congelou, e agora não havia dúvidas: era Cas. Aquele olhar azul como gelo só poderia ser dele. Uma onda de adrenalina atravessou o corpo de Dean, e ele instintivamente enfiou a mão dentro do boxer, acariciando seu pau da base até a ponta. Tudo em sua mente estava confuso. Talvez fossem os gemidos sufocados da mulher, talvez fosse o homem quase nu que a tocava... ou talvez fosse a combinação dos dois. Dean não sabia se queria ser o dominador ou o submisso, mas imaginar-se sendo tocado daquela forma era... maravilhoso.

Ele tirou o pau para fora, e o homem no palco deu um sorriso de lado, voltando sua atenção para a submissa. Mandou que ela gozasse, e, de maneira completamente inconsciente, Dean gozou também, ficando trêmulo.

Somente alguns minutos depois, a ficha do que havia feito caiu. Desesperado, ele fechou a calça e se levantou quase correndo. Ao descer as escadas, esbarrou em um homem, fazendo ambos caírem no chão.

Seu dia estava ótimo, realmente!

— Me desculpe — disse Dean, ofegante.

— Tudo bem, você parece nervoso.

— Qual o seu nome? — Dean perguntou, ajudando o homem a se levantar.

Ele não havia lavado as mãos, mas, foda-se, ele tinha acabado de ver o Senhor Novak enfiando um vibrador em uma mulher numa cena de BDSM. Nada estava bem.

— Sou Aaron. E você? — O homem se levantou e caminhou com Dean até uma mesa vazia.

— Dean Winchester.

— Prazer, Dean — disse Aaron com um tom provocante. Ele não tinha nada a ver com Alastair, e algo em Dean ficou interessado no flerte. — O que você está procurando neste clube? — Perguntou Aaron.

— Não sei exatamente, mas... estou pensando em aprender sobre... — Dean sorriu nervoso. Apesar do que acabara de acontecer, a dinâmica parecia ser... o seu lance.

Ele gostava de sexo comum, mas aquilo era surreal: o jeito que a mulher gemia, como Cas a controlava.

Merda, ele quer isso.

— Quer aprender como submisso ou dominador? — Aaron passou a ponta dos dedos pelo braço de Dean.

Dean olhou ao redor, vendo vários casais em suas dinâmicas. Ele ainda não tinha certeza, mas sentia-se mais à vontade no comando. Não conseguia se imaginar em um estado de humilhação ou submissão; essa não era sua natureza.

— Dominador.

— Nesse caso, sou um submisso bastante experiente — disse Aaron com um olhar sugestivo para Dean. — Podemos nos encontrar todas as quintas.

— Eu... não sou gay... me desculpe.

— Você não precisa se rotular aqui, querido — Aaron o confortou. — Apenas se deixe levar, é puramente por prazer. Se não der certo, você encontra uma submissa.

— Eu vou pensar.

— No seu tempo — Aaron segurou o rosto do Winchester e deu um breve beijo nele.

Dean, no início, ficou tenso, mas depois sentiu o corpo relaxar. Ele pegou a nuca de Aaron e o beijou intensamente, tirando o fôlego de ambos.

— Uau — Aaron riu contra os lábios de Dean. — Algo me diz que vai dar certo.

— Vejo você quinta — Dean sussurrou no ouvido do homem e se levantou para ir embora.

Ele saiu do clube e pegou o celular com o segurança. Dean abriu a porta do Impala e apertou o volante até os nós dos dedos ficarem brancos. Ele se masturbou e gozou quando um homem mandou. Ele tinha acabado de concordar em ser dominador de um homem. Merda, o que o seu pai diria se descobrisse que o filho gosta de paus também? Tudo nele queria desistir, mas uma faísca dentro de seu peito dizia que seria bom, que seria libertador de alguma forma. Ele queria ver Cas mais vezes, se possível, mas o homem era um dominador, e Dean não queria ser submisso, então ele evitaria o segundo andar.

Ele dirigiu para casa e, ao chegar, as luzes estavam apagadas. Subiu as escadas em silêncio e se jogou na cama, ainda surtando com tudo que aconteceu. Sem pensar duas vezes, pegou o celular e ligou para Charlie.

— Meu Deus, sabe que horas são? — Ela disse com raiva, e Dean riu.

— Acho que são três horas, mas não importa — ele respirou fundo para soltar a bomba. — Eu gosto de homens também, não era uma fase.

— Você me ligou de madrugada para dizer o óbvio?! — Ela bufou.

— Eu achei que fosse importante!

— Uau, parabéns, bem-vindo ao vale colorido, mas agora preciso dormir — ela desligou na cara do Winchester.

Como ele amava aquela mulher.