Chapter Text
Escuro e quente. Seguro. Lampejos de prata e obsidiana irisada. O calor era bom. Ecoava o barulho da lava borbulhando longe. O grande buraco era quentinho. Os dois filhotes estavam aconchegados na mãe-dragão. Ela e seus irmãos gostavam de ficar agarradinhos assim com a sua mamãe. Até mesmo Aegon, o lēkia mais velho, que sabia de tudo e protegia Visenya quando seu kepa não estava por perto. A mãe dos filhotes era linda como a mãe de Visenya. Seus dragõezinhos também queriam ficar perto dela o tempo todo. Protetora e quente.
Cinzas, ossos queimados e grandes pedaços de pano para aquecer os filhotes. Gēlion e Sȳndor. Gēlion era semelhante à mãe — tinha as escamas de prata derretida —, mas Sȳndor era negro e arisco como o pai-dragão. E era bravo como ele. O pai não gostava de ver a mãe perto dos filhotes. A mãe-dragão era linda, com olhos enormes e dourados. Gēlion nasceu no berço de um menino fraco, filho da cavaleira da mãe-dragão prateada. Sȳndor nasceu para Gēlion. Eram dois ovos da mesma ninhada, preto e prata, assim como seus pais.
Visenya não sabia quando começaram os sonhos. Ela via Sȳndor pequenino, junto com sua irmã de ninhada. Ele era mais novo, mas era maior. Ele era da cor de carvão e era bravo. Na maior parte do tempo, ficava sozinho. A cada vez, Visenya sonhava mais com a vida de Sȳndor. Naquela noite, porém, seus sonhos não eram sonhos comuns. Ela sentia o calor de escamas negras sob sua pele. O mundo parecia pequeno e distante, como se estivesse vendo tudo através dos olhos de outro ser.
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Estrondava a tempestade violenta sobre Pedra do Dragão. Uma cortina pesada de chuva se lançava sobre terra e mar. Pingos grossos, gelados, agressivos como adagas, derramavam-se sobre tudo, ao sabor dos ventos atravessados por trovões.
O horizonte se dissolvera em uma indefinível massa cor de chumbo, onde céu e mar se fundiam. A terra se apequenava e parecia sucumbir diante das forças da natureza. Vez por outra, um relâmpago fugaz iluminava a paisagem revolta, banhando-a em luz prateada. Era momentâneo e assustador. A atmosfera parecia hostil aos homens e aos animais. Tudo parecia estar em convulsão. Em momentos assim, o ser humano percebia que todo o seu conhecimento e controle se esvaíam diante da fúria dos elementos.
O tempo começara a fechar ao entardecer. Os dragões percorreram o céu com urgência, soltando silvos e rugidos, buscando abrigo nas cavernas do Monte Dragão.
A ilha era ordinariamente nebulosa e sombria. O castelo de pedra cinzenta — obra dos ancestrais da família real — tinha janelas compridas e estreitas, encimadas por arcos ogivais. A construção possuía varandas, terraços e contrafortes. A drenagem era feita por abundantes gárgulas com formas dracônicas. O conjunto impressionava pela verticalidade e pelas dimensões colossais. Os visitantes costumavam ficar impactados. Era comum ver dragões cortando o céu. Stormcloud e Morghul tinham adquirido o hábito de pousar nos arcos, permanecendo imóveis por um bom tempo e assustando os desavisados quando levantavam voo. Os dois filhotes tinham crescido aceleradamente desde que passaram a habitar as cavernas do Monte Dragão. Em breve, o Príncipe Aegon subiria aos céus pela primeira vez com sua montaria. O Príncipe Viserys implorava aos pais pela oportunidade de se tornar cavaleiro junto com o irmão. O Príncipe Daemon explicava que Morghul ainda era muito jovem para se aventurar nos céus. Viserys fazia um beicinho indignado. Rhaegar, o mais moço dos príncipes, argumentava que Vermithor já era grande e que ele já se sentia preparado para alçar voo. Os cães latiam em concordância. O Príncipe Rhaegar tinha muito jeito com animais. Certa vez, Lorde Corlys insinuara que o menino seria um grande meistre. Daemon e Vaegon fizeram uma cara muitíssimo feia e nem se dignaram a responder. Os pais apenas sorriam e nada prometiam. A princesa era a mais jovem cavaleira de dragão, mas ela e o tio-marido não queriam arriscar a vida de nenhum dos filhos.
Naquela noite de mau tempo, os moradores do castelo haviam se recolhido logo após o jantar. A atmosfera estava tão escura e úmida que os habitantes tinham se resignado a ir para a cama e esperar que o dia seguinte amanhecesse com tempo mais firme.
A Princesa Rhaenyra pegou no sono assim que se deitou. Agora dormia pesadamente, relaxada e aquecida, mergulhada em sono tranquilo, alheia ao temporal e aos clarões. O Príncipe Daemon estava sentado à escrivaninha, lendo cartas. As últimas notícias das Terras Fluviais tinham acabado de chegar. Apesar das negociações expressivas, a Casa Bracken deu muito trabalho. Pareciam não acreditar que a Coroa estaria disposta a soltar o fogo de quatro dragões ferozes sobre a Barreira de Pedra. A comitiva real deixou os dragões ocultos na floresta próxima e chegou a cavalo. Os membros da Casa Bracken receberam os emissários reais com ironias e fanfarronadas. Daemon e Harwin Strong trocaram um olhar zombeteiro. Vaegon estava sem um pingo de paciência, e Laenor parecia chocado com a imprudência da Barreira de Pedra.
O Arquimeistre Vaegon Targaryen explicou sucintamente os termos da Coroa e a anuência da Casa Blackwood. O velho Tytus Bracken deu uma risada de mofa. Logo a seguir, Kosmo Bracken, o segundo filho do lorde, deu um passo à frente e desafiou os emissários da Coroa para um combate com espadas. Tratava-se de um brutamontes criado com a ilusão de que era um grande guerreiro. A cabeça quente não o ajudou. A família não o dissuadiu. Ficou ali de pernas abertas, peito estufado, apalpando o pomo da espada.
Daemon Targaryen brincou com o valentão até cansá-lo — o que aconteceu bem rápido. Depois, colheu sua cabeça com a Irmã Sombria. Os Brackens ficaram estarrecidos e furiosos. O jovem Kosmo era seu campeão, o defensor de sua casa ilustre. O Príncipe Daemon levantou a sobrancelha e deu um sorriso, convidando quem mais se habilitasse a enfrentá-lo. Com a chegada de Caraxes, Dreamfyre e Seasmoke, eles colocaram o rabo entre as pernas. Porém, continuavam irritantes e raivosos. Em um futuro próximo, a Barreira de Pedra talvez tivesse que ser derretida pelo fogo de dragão.
Ainda pensando no conflito, Daemon ouviu as batidas na porta de ligação com os aposentos dos filhos. Mesmo que o som fosse discreto, o príncipe teria despertado. Acordava ao menor ruído, com todos os sentidos em alerta. A experiência da guerra criara nele esse costume. Apurou os ouvidos e percebeu que eram seus filhos que estavam batendo na porta.
“Kepa! Muña!”
Em um instante, ele afastou os documentos, pôs-se de pé e foi abrir a porta. Viserys e Rhaegar passaram rapidamente para o interior do quarto, descalços e vestindo seus camisolões brancos de dormir. O pai franziu a testa. Rhaenyra não permitia pés descalços aos filhos. Ainda bem que os aposentos dos Conquistadores tinham piso de carvalho e tapetes grossos.
“O que aconteceu, rapazes? Já deveriam estar dormindo há muito tempo.”
Rhaenyra despertou e sentou-se na cama, estremunhada.
“É a Senya! Ela teve o pesadelo de novo...” – explicou Viserys.
“Vocês deixaram sua hāedar sozinha?”
Os dois balançaram a cabeça negativamente. Viserys tinha cachos pesados que chegavam abaixo dos ombros, enquanto Rhaegar tinha uma cabeleira ondulada que quase alcançava a cintura. O menino detestava cortar os cabelos. Queria deixá-los longos como os do pai.
“Aegon e a ama estão com ela, mas ela não para de chorar, kepa. Achamos melhor avisar.”
Rhaenyra fez menção de levantar, mas o marido a impediu com um gesto. Pouco depois, ele retornou com a pequena Visenya, de dois dias do nome, no colo e o filho mais velho segurando sua mão. A menina chupava o polegar. Era sinal de que estava nervosa ou amedrontada com alguma coisa.
A essa altura, Viserys e Rhaegar já estavam alegremente acomodados na enorme cama dos pais. Eles estavam crescendo, mas uma noite como aquela era um bom pretexto para virem se aconchegar com kepa e muña. Visenya ainda soluçava. Os ombros frágeis tremiam. O rostinho estava vermelho e marcado pelas lágrimas. Daemon passou a filha para os braços de Rhaenyra. A menina pousou a cabecinha no ombro da mãe.
“O que houve, dragãozinho?”
Ela abriu muito os olhos roxos e deu um suspiro sentido.
“Sȳndor muña! Sȳndor triste...”
Os pais se entreolharam. Sȳndor era como Visenya chamava Canibal desde que começara a falar. A palavra significava “sombra” em alto-valiriano. De onde aquilo surgira, ninguém sabia ao certo.
“Quem é Sȳndor?” o pai perguntara da primeira vez.
A garotinha apontara o dedinho minúsculo para o dragão. A criatura gigantesca abaixara a cabeçorra, lançando uma sombra imensa na areia, como se quisesse sentir o perfume de bebê que se evolava dos cabelos de Visenya. Ele atendia perfeitamente pelo nome que sua pequenina princesa usava para chamá-lo.
Os três meninos tiveram permissão para passar a noite com os pais. O temporal continuava ininterrupto. Daemon nem se deu ao trabalho de olhar pela janela: o dragão Canibal, ou Sȳndor, certamente estaria parado na praia, diante da janela. Ele sempre estava por perto quando Visenya se sentia perturbada ou passava por algum desconforto. Com o passar do tempo, Daemon passou a sentir uma inexplicável proximidade em relação ao dragão vinculado à filha. Sentia que a criatura era profundamente afeiçoada à menina e que sempre estaria pronta para defendê-la.
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A Princesa Visenya dormia sossegada na cama dos pais. Depois do sonho aflitivo, a menina caiu em sono profundo. Seus cabelos prateados, iguais aos do pai, espalhavam-se pelo travesseiro enquanto o brilho distante das fogueiras dançava pelas paredes de pedra. Ela estava protegida e aquecida.
Visenya inspirava cuidados desde que nascera. Era miúda, mas inteligente. Falava o alto-valiriano com desenvoltura inesperada para uma criança de dois dias do nome. O pequeno mundo da princesinha eram os pais, os irmãos, os membros da família e seu dragão.
O casal de príncipes e o Meistre Gerardys observavam a menina.
“Estou pesquisando os livros do castelo, assim como os registros dos guardiões de dragões. Eles anotaram metodicamente as ninhadas e as eclosões de ovos. Há um obscuro registro de uma ninhada de dois ovos de Meraxes.”
Daemon e Rhaenyra trocaram um olhar descrente. Nunca tinham ouvido falar disso. Meraxes era o dragão da Rainha Rhaenys.
Rhaenyra andava aflita com os pesadelos da filha. A menina era joia da família. Todos sentiam afeto por ela.
“O senhor acha que Visenya é uma sonhadora?”- inquiriu Rhaenyra sem rodeios.
Daemon revirou os olhos. Como se não bastassem os delírios de Viserys...
O Meistre Gerardys falou com sua habitual ponderação. Cuidava daquela criança delicada desde sempre. Ele a trouxera ao mundo.
“Ela não parece sonhar com acontecimentos futuros. Acho que a princesinha consegue sonhar ou ter vislumbres do passado. E isso parece ter conexão com o dragão Canibal.”
“Visenya garante que ele é Sȳndor.”
Os três sorriram. A princesa era um pinguinho de gente, cheia de determinação. Sua devoção à família e ao seu dragão era evidente. Ela falava de filhotes de dragão; talvez um deles fosse o Canibal. Não o Canibal gigantesco e temido que todos conheciam, mas um filhote. Talvez ele permitisse à sua jovem cavaleira ver partes de sua vida, por afeição ou como uma advertência. Era algo que precisava ser investigado com maior profundidade.
Apenas um pequeno dragão, embora já assustador para qualquer homem. Visenya o acompanhava pelas praias vulcânicas. O jovem dragão emitia sons curiosos enquanto perseguia gaivotas sobre as rochas. Mais adiante estava a mãe. Suas escamas reluziam como prata ao sol. Ela observava o filhote com paciência e carinho, tocando-o com o focinho de vez em quando.
Perto dela estava outro dragão jovem. Uma menina-dragão prateada. Os dois brincavam entre as ondas, empurrando-se e rugindo um para o outro.
Por um momento, o sonho foi feliz.
Então o céu mudou.
Uma sensação de medo tomou conta de Sȳndor. Algo de ruim aconteceu com a mãe, e ela os deixou sozinhos. Sȳndor sentiu raiva e abandono, mas Gēlion estava ao seu lado. Ele não estava completamente só.
A princesinha abriu os olhos devagar, sacudindo das pálpebras a poeira do sono. Sua muña estava inclinada sobre ela e fez cócegas em sua barriga. Visenya soltou uma risadinha feliz. Aegon subiu na cama, seguido por Viserys. Kepa estava perto da janela com Rhaegar no colo. Estavam todos ali. A sua família.
Kekepa Vaegon e as tias de sua muña estavam no castelo. Visenya tinha sua família, e Sȳndor tinha Visenya.
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A reunião do Pequeno Conselho estava concluída. Todo vestido de preto, com o pescoço e as mãos repletos de joias, o rei olhava com pesar para as cadeiras vazias de seus familiares.
Ressentia-se da participação sensata da filha, dos conselhos de Vaegon e da força silenciosa que emanava de Daemon. Por ele, todos estariam morando debaixo do mesmo teto, na Fortaleza Vermelha. Porém, Rhaenyra resistia. O rei atribuía a negativa renitente da filha à influência do marido. Poderiam pelo menos tentar viver em paz e dar exemplo de união ao reino.
O rei suspirou, inconformado. Era compreensível que não viessem devido ao tempo ruim, impróprio para navegar ou voar. Viserys evitava criticar publicamente seus familiares, mas já havia confidenciado a Tyland Lannister, em algumas ocasiões, seu descontentamento com a filha e o irmão. O rei vinha trabalhando incansavelmente para aparar as arestas entre a herdeira e os filhos de seu segundo casamento; no entanto, não obtivera sucesso até então.
Tinha sido pressionado com insistência para acertar o casamento entre Aegon, o Velho, e Helaena. Lady Alicent, os parentes de Vilavelha e até o Grande Meistre Orwyle teimavam em destacar os benefícios dessa união. Na presença da mãe, os príncipes ficavam mudos, hirtos. Quando ela se afastava, falavam com desagrado do possível noivado. Aegon acabara de completar treze dias do nome, e Helaena tinha quase onze. Não demonstravam qualquer afinidade ou atração um pelo outro. Viserys não desejava confrontos, mas não via como um casamento assim poderia prosperar.
Aquela reunião específica tratara do futuro dos filhos do segundo casamento de Viserys. Ao completar seu sétimo dia do nome, Aemond foi comunicado formalmente de que algumas pretendentes seriam recebidas na Fortaleza Vermelha. A notícia não foi recebida com entusiasmo pelo garoto.
Diante da omissão do rei em regularizar a situação de Lady Venyssa, a solução foi solicitar os serviços de Lady Amanda Arryn para receber as candidatas. A senhora era cunhada do rei e havia sido a chefe das damas da Rainha Aemma Arryn. A mulher sabia tudo sobre o cerimonial da corte e possuía uma reputação imaculada.
Em lugar de ficar envaidecido com as providências sobre o seu futuro, o Príncipe Aemond ficou vermelho e aborrecido com a notícia. Tinha a si mesmo em alta conta e, conforme crescia, ia entendendo que ter uma mãe com má fama em nada contribuiria para melhorar sua posição.
“Minha senhora mãe deve ser a anfitriã! Não aceito que outra pessoa a substitua!”
Aegon e Helaena já tinham explicado a desdita da mãe ao irmão, sem entrar em detalhes sórdidos que eles mesmos ignoravam. Sua irmã Rhaenyra conseguiu arrancar do rei a promessa de que eles poderiam dar a última palavra sobre seus respectivos casamentos.
Lady Alicent tinha ficado profundamente decepcionada. Consternada com a falta de visão de ambos os filhos. Seu sonho de casar Aegon, o Velho, com Helaena tinha escorrido por entre seus dedos. Ambos se mostravam satisfeitos com a ausência de compromisso. Apenas Aemond parecia ter herdado a visão e as ambições do falecido Otto Hightower.
Aemond sacou uma contraproposta que poderia ser considerada uma perola de oportunismo precoce, se não tivesse sido sugerida por sua senhora mãe às escondidas.
“Se você se recusa a honrar o costume de nossa casa, eu me casarei com Helaena em seu lugar, irmão!”
Aegon, o Velho, nem se dignou a responder. Helaena olhou para o irmão mais novo e balançou a cabeça negativamente. Viserys percebeu o desagrado da filha e interveio.
“Suas pretendentes já foram escolhidas, meu filho. Serão jovens das casas Lannister, Baratheon e Tully. Tudo já passou pelo crivo de sua senhora mãe e do Pequeno Conselho. As jovens têm beleza, inteligência e grande dote.”
O menino remoeu aquelas palavras com azedume por alguns instantes. Quando abriu a boca, chocou todos os presentes.
“Tenho preferência por uma noiva valiriana. Além da minha irmã, existem minha sobrinha Visenya e mais duas meninas Velaryon. O meistre me disse."
Tyland Lannister teve vontade de rir daquela pretensão descabida. Era um segundo filho e, desde cedo, seu pai fizera questão de colocá-lo em seu devido lugar. As palavras do príncipe evocavam a cantilena de mais de uma década de outro segundo filho que exigia uma noiva valiriana a todo custo. Tyland armou um sorriso manso e falso para explicar a realidade ao caçula do rei:
“Alteza, sua sobrinha deverá se casar com um dos irmãos. Seu tio, o Príncipe Daemon, também é um grande adepto dos matrimônios valirianos. Já Lorde Corlys, o Senhor das Marés, é um homem muito ambicioso. Ele deseja que as netas se casem com os filhos da Princesa Rhaenyra. Quer que uma delas seja rainha. Um príncipe mais bem posicionado na linha de sucessão é o que melhor contentaria as aspirações de Lorde Corlys Velaryon.”
Aemond piscou os olhos, aturdido com tantas informações e bastante insultado com a pouca fé que depositavam nele. Enrijeceu o pescoço fino e protestou com uma voz esganiçada, que lembrava o timbre de sua senhora mãe quando estava irritada.
“Eu preciso de uma noiva valiriana, Lannister. Vai fortalecer a minha reivindicação.”
Viserys cofiou o bigode. Aemond era o filho com menos características valirianas. Seu cabelo era castanho médio; os olhos, verdes; e o rosto comprido, com o queixo pontudo, eram herdados de Sor Otto.
“Que reivindicação, Aemond? Você é o oitavo na linha de sucessão. Concentre-se no que lhe é oferecido e pare de criar problemas.”
Aemond trincou os dentes de ódio, mas optou por ficar calado. Ainda não era o seu momento.
